sexta-feira, 30 de agosto de 2013

CANGAÇO NO RIO GRANDE DO NORTE: A HISTÓRIA QUE NÃO FOI CONTADA


Marcos Pinto

Em um dos inúmeros Seminários promovidos para debater a história do cangaço, com ênfase para seus protagonistas, ouvi, de renomados estudiosos desse truculento capítulo da historiografia nordestina, que ainda há muitos episódios e facetas envoltos em abissal mistério.

Constata-se, à exaustão, voluntariosas e inconsistentes omissões quanto à divulgação em livros ou em artigos esparsos. As narrativas equilibram-se de acordo com as circunstâncias e tendências em conflito. São raros os historiadores/pesquisadores que evidenciam e deixam uma lição de coragem e exemplo de independência, gestos ratos numa época de subserviências e fraquezas éticas. Foram/são homens de diretrizes certas e vontades próprias, sob a tutela das quais neutralizam os velhos vícios do mandonismo e do arbítrio. Custeiam, com recursos próprios, as suas publicações em livros e opúsculos, para não fazer como tantos que se atêm com deturpação dos fatos e distorção da história.

Já é perceptível o surgimento de um segmento entre os pesquisadores sobre o cangaço que exorcizam fatos históricos entregues ao olvido. À esses, rendo o meu preito de admiração e respeito, inexpugnáveis.

Os capítulos lacunosos correm num estuário de espanto e de mistérios. Transbordam pelas barreiras do passado, para espraiarem na planície da concretude histórica. No desiderato da pesquisa histórica, é imprescindível que se mantenha uma imparcialidade quase sobre-humana, na apreciação dos fatos e dos homens. Escoimando-se os fatos deliberadamente circunscritos ao olvido e a um silêncio sepulcral.

Ainda visualiza-se a predominância de uma perspectiva de certo modo sombria e preocupante para algumas famílias que tiveram alguns dos seus membros em ativa participação no processo de articulação para a vinda de Lampião e seu bando às plagas citadinas da região Oeste potiguar.

É certo, que as nuances dos ataques banditícios à cidade de Apodi (10.05.1927) e à Mossoró (13.06.1927) reúnem perspectivas históricas inéditas, factuais e cronológicas, exaltadoras de minudências que configuram-se em instigante libelo-crime acusatório. Isso, sem falar em provas documentais envolventes, que foram deliberadamente incinerados, ou perdidos na voragem do tempo.

Observa-se, em pormenores, que a partir do ano de 1919, final do incipiente governo de Ferreira Chaves (1914-1919) instalou-se um clima propício à criação e instalação de grupos de cangaceiros na região Oeste potiguar, processo de terror que contou com veemente proteção e acumpliciamento de algumas figuras carimbadas do judiciário estadual.

Em 1919 o então governador nomeou Desembargador os Juízes de Direito Felipe Guerra e Horácio Barreto, este sobrinho de dona Alexandrina Barreto, esposa do governador Ferreira Chaves. Nesse ano instalou-se no então sítio BREJO DO APODI o grupo de cangaceiros oriundos da serra do Pereiro, capitaneados pelo truculento DÉCIO SEBASTIÃO DE ALBUQUERQUE, conhecido popularmente como DÉCIO HOLANDA, que era genro do não menos truculento TILON GURGEL .

Essa Milícia particular passou a ter integral e ostensivo apoio do Desembargador Felipe Guerra, que era casado com uma irmã de Tilon Gurgel. Portanto, a esposa do bandoleiro Décio Holanda (Chicuta) era sobrinha paterna da esposa de Felipe Guerra.

No ano de 1915 aportaram em Apodi, para fixarem residência e à convite de Tilon Gurgel e Felipe Guerra, os virulentos Juvêncio Augusto Barrêto, irmão da esposa do governador Ferreira Chaves (D. Alexandrina Barreto Chaves) e Martiniano de Queiroz Porto, com fito único de fazerem acirrada oposição política ao Coronel João Jázimo Pinto.

Juvêncio Barreto instalou-se em sua fazenda "Unha de Gato", onde acoitou jagunços oriundos do Ceará, que por sua vez aliaram-se ao grupo de bandoleiros comandados por Martiniano de Queiroz Porto, oriundos da serra do Pereiro, no Ceará.

Como espécies de vasos comunicantes, esses grupos de bandoleiros aliaram-se ao ignominioso bando de cangaceiros comandados pelos celerados Benedito Saldanha e seu irmão Quinca Saldanha. Surge daí o consórcio para o mal, composto pelo Juiz de Direito José Fernandes Vieira, sogro de Martiniano Porto, Desembargadores Horácio Barreto e Felipe Guerra, com fito único de acobertar os crimes perpetrados respectivamente por Juvêncio Barreto (Tio de Horácio Barreto) Décio Holanda e Tilon Gurgel.

No contexto do cangaceirismo, destacaram-se as asquerosas figuras de Júlio Santana de Melo, que por ter a proteção do seu mentor Martiniano Porto, com quem veio para o Apodi, passou a ser conhecido como sendo JÚLIO PORTO, que viria a constituir amizade com o bandido Massilon Benevides, e que mais tarde compuseram o nefando bando de Lampião, nos célebres ataques às cidade de Apodi (10.05.1927) e Mossoró (13.06.1927).

Com a junção desses 04 grupos de jagunços/bandoleiros, capitaneados respectivamente por Juvêncio Barreto, Martiniano Queiroz Porto, Décio Holanda/Tilon Gurgel, e Benedito Saldanha e Quinca Saldanha instalou-se um cenário de horror e provocações ao povo de Apodi.

Delineou-se, assim, um truculento cenário banditício. Esses redutos de grupos de jagunços colocou os seus comandantes em tal situação de poderio, que faziam de suas prepotentes vontades a LEI DOS SERTÕES, e que para exercê-la não hesitavam em cometerem atos violentos, arbitrários e reprováveis. Esses grupos viviam a depredar e perseguirem a população apodiense, prontos ao serviço, submissos às determinações dos despóticos patronos.

Em 1922 o ardiloso Desembargador FELIPE GUERRA traficou influência e indicou o seu amigo particular JOÃO DANTAS SALES para assumir como Juiz de Direito a Comarca de Apodi, tendo como objetivo proteger e tutelar os desmandos e atos de infração à lei e ataques à vida e a propriedade. Benedito e Quinca Saldanha eram os protetores de Massilon, que se julgava afilhado de Quinca Saldanha.

No processo-crime de nº 486, instaurado em 03.05.1925 consta vários depoimentos de respeitáveis cidadãos apodienses, dando conta de que o então Juiz de Direito da Comarca João Dantas Sales acolhia e hospedava, às escâncaras, em sua residência em Apodi, os bandoleiros Benedito e Quinca Saldanha. Era a trinca sinistra comandando a desordem e instalando o pânico.

A pública ligação pessoal e política do Juiz João Dantas Sales, que ocupou a titularidade da comarca de Apodi no período 1922-1925, com Benedito Saldanha/Quinca, Décio Holanda/Tilon Gurgel, Martiniano Porto/Juvêncio Barreto, influenciou-o para alterar a exação que norteia e é dever do Magistrado. Adotou ignóbil proteção e parcialidade quando Benedito Saldanha foi julgado pelo Tribunal Popular do Júri em Apodi, por ter espancado o Sr. Francisco Noronha e uma moça de nome Maria Lúcia, filha do velho Carneiro.

Contribuiu para a absolvição de Décio Holanda quando submetido a julgamento no Tribunal Popular do Júri, por ter atirado e ferido gravemente um rapaz de nome Tertulino Canela. O cinismo e a desfaçatez de Felipe Guerra estão delineados quando afirmou que "No RN não há cangaceirismo", em seu livro intitulado "AINDA O NORDESTE" - Pág. 79 - Tipografia do Jornal "A República" - Ano 1927.

Quando um dia se fizer um acurado levantamento de fatos considerados históricos, atinentes à investida de Lampião e seu bando ao Rio Grande do Norte, restará provado e comprovado que muitas pessoas que viveram a contemporaneidade desses fatos, incorreram em voluntariosa omissão, negando-se a darem seus depoimentos a pesquisadores/historiadores, cujos depoimentos seriam de suma importância para o cotejo das provas. Esquivaram-se sob a pusilânime assertiva de que omitiam-se "por medida de cautela, ocultando evidências que, segundo suas pérfidas óticas, seria natural em quem revolve acontecimentos de ontem, com perspectivas hodiernas de trazer à tona fatos adrede combinados para serem "guardados à sete chaves", como se diz no sertão.

A partir do ano de 1915 foi instalado o clima de terror no município de Apodi, quando aportaram em Apodi os truculentos Srs. Martiniano de Queiroz Porto, oriundo da serra do Pereiro, no Ceará, e Juvêncio Augusto Barrêto, ambos trazendo seus jagunços, geralmente composto por celerados fugitivos da Justiça. Martiniano fixou residência na cidade, onde comprou um prédio residencial assobradado, onde escondia seus capangas. Juvêncio oriundo da cidade de Martins, onde renunciara ao cargo de Vereador, tendo se instalado em uma fazenda que comprara e que era denominada de "Unha de Gato", onde transformou em coito para vários cangaceiros, destacando-se Massilon Leite e Júlio Porto, então adolescente criado por Martiniano Porto. O nome civil de Júlio era Júlio Santana de Melo, tendo adotado o sobrenome Porto em homenagem à Martiniano Queiroz Porto. A vinda desses dois virulentos senhores para o Apodi deu-se em atendimento ao convite feito por Felipe Guerra e seu cunhado Tilon Gurgel, para cerrarem acirrada oposição política ao Coronel João Jázimo Pinto. 

Um fato que corrobora o gênio irascível e virulento do Sr. Felipe Guerra atrela-se à minudência de que, em toda sua trajetória de Juiz de Direito e de Desembargador passou mais tempo em disponibilidade do que mesmo no exercício da função judicante. Formou-se uma trinca sinistra no judiciário estadual, com atuação na região Oeste do estado, composta pelos truculentos Juízes de Direito Horácio Barrêto,(Sobrinho de Juvêncio Barreto) que ocupou a comarca de Pau dos Ferros, no período 1901-1915, onde casou com uma moça da família Diógenes, Felipe Guerra, José Fernandes Vieira (genro de Martiniano Porto) e João Francisco Dantas Sales. 

Os ânimos desse conluio de Magistrados foram acirrados com a investidura de Ferreira Chaves no governo estadual para o período 1914-1919, sendo certo que em 1919 Ferreira Chaves promoveu para Desembargadores os magistrados Horácio Barreto, sobrinho de sua esposa Alexandrina Barreto, e Felipe Guerra, que por sua vez convidou o seu amigo íntimo o Juiz de Direito João Francisco Dantas Sales para ocupar a Comarca do Apodi, consumando um plano adrede traçado para que este Juiz perseguisse a harmoniosa e pacífica hoste política da tradicional família PINTO, comandada pelos Coronéis João Jázimo Pinto e seu genro Coronel Francisco Pinto. Felipe Guerra era casado com uma irmã do não menos truculento Tilon Gurgel.

O período da titularidade do Juiz João Francisco Dantas Sales (1922-1925) transformou a região do Apodi em palco de toda sorte de atentados à integridade física e à propriedade privada. Esse magistrado transformou sua residência em coito para os celerados Benedito Saldanha e seu irmão Quinca Saldanha, famosos chefe de grupo de cangaceiros instalados em Caraúbas, em sua fazenda denominada de "Setúbal". O douto Juiz chegou ao disparate de acoitar em sua residência a um arruaceiro de nome Manoel Elias de Lima, que acabara de praticar uma tentativa de homicídio dentro do mercado público de Apodi, quando alvejara com um tiro de revólver o cidadão Vicente Gomes de Oliveira. Observava-se às escâncaras o conúbio criminoso-protetivo existente entre o Juiz João Dantas Sales e os Chefes de cangaceiros Décio Holanda/Tilon Gurgel, Martiniano Porto/Juvêncio Barrêto, Benedito Saldanha/Quinca Saldanha.

Há um fato emblemático contido no Processo-Crime de Nº 486/1925,(Comarca de Apodi) em que aparece como indiciado o celerado Décio Holanda , cujo nome civil era Décio Sebastião de Albuquerque, e que representa um liame com o ataque de Lampião e seu grupo à Mossoró. Trata-se do depoimento do respeitável cidadão Vicente Gomes de Oliveira, prestado a 03.05.1925, que dentre outras arguições, afirmou: " Que é público e notório nesta cidade do Apodi, que Décio Sebastião de Albuquerque comprou em Mossoró dois mil cartuchos com balas para rifle e que estão depositadas em sua propriedade "Pedra das Abelhas" neste município. Na época correram rumores que a compra do arsenal bélico feita pelo Décio fora intermediado por Felipe Guerra e Jerônimo Rosado. Que Décio tem em sua casa de residência, na residência de seu sogro Tilon Gurgel e na casa de Belarmino de Tal, tudo na mesma propriedade "Pedra das Abelhas" e em sua outra propriedade denominada "Pacó" grande quantidade de armamentos e mais munições para o fim de atacar com cangaceiros os habitantes desta cidade amigos políticos do Coronel João Jázimo, ao própiro Cel. João Jázimo, atacando simultaneamente a força pública mandada pelo governador do estado para manter a ordem nesta cidade". 

Como o Juiz João Dantas Sales soube no mesmo dia 03 de Maio que o então Delegado Especial Capitão Jacinto Tavares Ferreira ouvira em depoimento o Sr. Vicente Gomes de Oliveira, e que nesse mesmo dia o dito Delegado mandara lavrar Auto de Busca e Apreensão a ser cumprida por um efetivo policial composto por 40 praças e um Sargento no dia seguinte , enviou mensageiro especial para a fazenda "Pedra das Abelhas" avisar aos bandoleiros Décio Holanda e Tilon Gurgel, que neste mesmo dia enviaram o arsenal em comboio animal para a fazenda dos celerados Benedito e Quinca Saldanha, em Caraúbas. O certo é que, efetivamente a 04 de Maio de 1925 a tropa policial dirigiu-se para "Pedra das Abelhas", onde no lugar conhecido como "Saco do barro" houve o confronto entre a jagunçada de Décio Holanda/Tilon Gurgel, evento que inserí nos anais históricos como tendo sido O FOGO DE PEDRA DE ABELHAS, cujo relato foi objeto de artigo publicado em plaquete, pela Coleção Mossoroense, e no Blog "Honoriodemedeiros.blogspot.com". 

A fidagal amizade existente entre Felipe Guerra e Jerônimo Rosado remonta ainda ao ano de 1907, quando cerraram fileiras em Mossoró com o Coronel Vicente Sabóia de Albuquerque (parente de Décio) na luta pela implantação do ramal ferroviário Porto Franco - Mossoró. Em Setembro de 1926 o então Desembargador Felipe Guerra foi posto em disponibilidade, quando então retornou à Mossoró para assessorar o amigo Jerônimo Rosado. Nasceu aí o complô para a vinda de Lampião à Mossoró, com o fito único de eliminar o Prefeito Rodolfo Fernandes e proporcionar a volta do Jerônimo Rosado ao poder municipal. Jerônimo Rosado havia sido Presidente da Intendência Municipal de Mossoró (cargo que em Agosto de 1926 passou a ser denominado de 
Prefeito) , tendo como Vice-Presidente (Vice-Prefeito) o Dr. Antonio Soares Júnior, médico e genro de Felipe Guerra. 

Lembro-me que o meu avô paterno Aristides Ferreira Pinto,(1907-1975) que era irmão legítimo do Coronel Francisco Pinto,(1895-1934) contou-me pormenores da carta enviada pelo irmão ao seu parente Rodolfo Fernandes, informando, dentre outros detalhes, que soubera por fonte fidedigna, de que o arsenal comprado por Décio Holanda em Mossoró no ano de 1925, fora transferido em comboio animal noturno, da fazenda dos Saldanha em Caraúbas, para a fazenda "Bálsamo", de Décio Holanda, encravada na serra do Pereiro, no Ceará. Nos depoimentos dados em Pau dos Ferros pelos cangaceiros MORMAÇO E BRONZEADO foram unânimes em afirmarem que Lampião passou mais de um mês acoitado com o seu bando entre as fazendas de Décio Holanda e seu primo Zé Cardoso, preparando-se para o ataque à Mossoró, e que Lampião recebera de Décio e Zé Cardoso dois mil cartuchos com balas para rifle. 

Em uma das edições do Jornal mossoroense "Correio do Povo" consta um comunicado de que o chefe de cangaceiros Benedito Saldanha, dias depois do ataque de Lampião à Mossoró, telegrafara ao então Chefe de Polícia do estadual Dr. Benício Filho (Manuel Benício de Melo Filho) informando que o cangaceiro Coqueiro, que fora um dos cangaceiros que atacara Mossoró, fora morto em sua fazenda "Várzea Grande", proximidades da cidade de Limoeiro do Norte, em confronto com a policia cearense. Soube-se depois que o mesmo fora morto por cangaceiros de Benedito Saldanha, cumprindo o costumeiro processo de "Queima de Arquivo". 

Para maiores esclarecimentos acerca do ataque lampionesco à Mossoró, sugiro a leitura do Blog "honoriodemedeiros.blogspot.com (No ítem CORONELISMO) e adquirir por compra o memorável e elucidativo livro "MASSILON" , de autoria do profícuo e renomado historiador do cangaço Honório de Medeiros.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O TEATRO CARLOS GOMES



Por: Gileno Guanabara
               
A “Cidade Baixa”, também chamada “Campina”, situada no salgado das marés da Ribeira, se estendia até as casas da Rua São João. Numa área de 500 metros quadrados foi erigida a Praça Augusto Severo, em homenagem ao pai da aviação. A edificação da praça coube ao engenheiro Herculano Ramos, durante o governo de Alberto Maranhão. Constava a estátua do homenageado, passeios e alamedas, plantas, bancos de madeira e o coreto para as tocatas. Ao meio, o riacho, por onde adentravam as águas do Rio Potengi. Uma ponte principal de concreto dava acesso a atual Rua Câmara Cascudo, em direção à “Cidade Alta”.
As construções que ladearam a Praça Augusto Severo tinham perfil arquitetônico semelhante. Ao Norte, se iniciava a Rua Sachet, desde a esquina do Hotel Avenida, que passou ao nome de Avenida Duque de Caxias. No Poente, se destacava a loja “Natal Modelo” de Aureliano Medeiros que deu o nome à Travessa. Seguia o prédio que funcionou o Cinema Polyteama, algumas residências e, adiante, o prédio da Estação da Great Western. Pelo Nascente, mais expressivo, o Teatro Carlos Gomes; o Grupo Escolar Augusto Severo (ex-Faculdade de Direito); e a ex-Escola Doméstica de Natal, atual Instituto Nacional de Seguridade Social.
 No dia 12 de maio, todos os anos, dava-se a comemoração da data do “Pai da Aviação”. As alunas da Escola Augusto Severo, engalanadas, farda branca de saia pregueada, de mãos dadas, circundavam a estátua de Augusto Severo. As moças sob os acordes da Banda de Música da Aeronáutica, cantavam o hino: “Foi a 12 de maio na França/Era puro e sereno o azul do céu/Flutuava o Pax nas asas da bonança/A glória conduzindo o seu troféu.”// (estribilho) “Auri verde pavilhão/E a popa do balão”.//”Houve um raio de luz pelo horizonte/Um soluço de dor nos ares paira/A águia rolou dos píncaros do monte// “Auri verde pavilhão...”. Enquanto isso, um avião sobrevoava e lançava a coroa de flores sobre a estátua do homenageado.
Antes das demais edificações, deu-se a construção original do “Teatro Carlos Gomes”, obra do governo de Ferreira Chaves, sob os cuidados do engenheiro  José de Parrêdo, iniciado em 1898 e concluído no ano de 1902, ou 1904. Com a reforma realizada durante o governo de Alberto Maranhão e obra do engenheiro Herculano Ramos, ganhou a concepção atual e foi concluída em 1912. Ocupa a área de 80 metros de fundos, por 12 metros de largura. De poltronas, frisas, camarotes e galerias, totalizava uma capacidade de 1.000 expectadores. Sua disposição interna é de uma lira e caixa de som à italiana. Nos anos de 1958 e 1959, abrigou a sede da Câmara Municipal de Natal. Passou a se chamar “Teatro Alberto Maranhão”.  
A solenidade de reinauguração ocorreu precisamente às 15,00 horas, do dia 16 de junho de 1912, no salão de gala do Teatro, com direito à visitação às dependências do sodalício. O sol incidia na frente do prédio, refletindo no salão que abrigava os convidados.
Era regra para os homens o traje adequado em tais solenidades: jaquetão; camisa de linho, com colarinho alto e punhos fechados; gravata borboleta; sapatos de verniz de bico fino; meias brancas de seda; lenço na lapela; chapéu de feltro; “pince-nez”; relógio de bolso com corrente e bengala. As mulheres portavam vestidos longos de seda francesa, combinação, chapéu ou solidéu, luvas, cachecol, mantilha, corpete, sapatos fechados e o indispensável leque. A preocupação dos presentes era com a demora do ato, tantas eram as autoridades presentes e os comuns mortais silentes, sob o mais causticante calor.
O Dr. Herculano Ramos retirou do paletó um calhamaço de papel, com os rabiscos do discurso. O engenheiro, que não era um discursador, pressentiu a agonia dos presentes. Aprumou os óculos sobre o nariz e falou: “Exmo. Sr. Governador do Estado. Vossa Excelência entregou-me um pardieiro e eu agora lhe restituo um teatro.”. Dito isto, recolheu a papelada e deu por encerado o ato.
Nos anos iniciais do século XX, segundo Anchieta Fernandes (1992), o Teatro Carlos Gomes foi palco de experiências cinematográficas, inclusive nele funcionando a sede do “Cinema Natal”. Dentre os cartazes expostos na frente do Teatro, o filme divulgado era “Two Arabian in Nigth”. Na área cênica, abrigou o “Gymnásio Dramático” que congregava os sócios amadores, os da ajuda financeira e os que elaboravam a parte literária. Participavam do “Gymnasio” Sebastião Fernandes, Luiz Potiguar, José Pinto, Ivo Filho, Ezequiel Wanderley, Deolindo Lima, Virgílio Trindade, Jorge Fernandes, Sandoval Wanderley, Jaime Wanderley, Carlos Siqueira, João Estevam (“Estevinho”), José Calafange, José Calazans, e outros. Apresentavam-se no Teatro óperas – A Dama das Camélias -, revistas, vaudevilles, comédias e dramas. Jorge Amado registrou que teve a peça dramática “Renúncia” encenada em Natal (em dúvida, se no ano de 1914), provavelmente pelo “Gymnásio Dramático”. Coelho Neto, em passagem por Natal, assistiu a peça “O Dote”, com participação de Alvaro Costa, Córa Costa e Lívia Maggioli.
Dentre os diretores, até a década de 1960, o teatrólogo Meira Pires, por sua dedicação, muito contribuiu para a arte cênica do Estado. Escreveu a “História do Teatro Alberto Maranhão”. Com a ida de Meira Pires para o INACEM, no Rio de Janeiro, a direção foi exercida por Dorian Gray e depois por Iapery Araújo. Em 1970, faleceu “Coquinho”, o ultimo construtor do Teatro quando de sua reconstrução, em 1912.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

O casamento do centenário André Avelino 

da Trindade Filho

Por João Felipe da Trindade

André Avelino da Trindade Filho é primo do meu pai, por parte de pai, pois seu pai André Avelino da Trindade era irmão de Miguel Francisco da Trindade, meu avô. André, com mais de cem anos, mora em Angicos. Em homenagem a ele, posto aqui seu casamento, onde encontramos muitas informações:

Aos três de setembro de mil novecentos e quarenta, às 16 horas, na capela do Colégio dos Maristas, desta freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, depois de feitas as habilitações canônicas, não aparecendo impedimento algum, quer canônico, que civil, como se vê, do processo que, sob nº 17355, fica arquivado nesta freguesia, por palavras de presente, na forma do Ritual Romano, em presença do Cônego Luiz Vanderley, devidamente autorizado, e na das testemunhas d. Ana Vanderley, casada, doméstica, natural do Amazonas e Idila Lima, solteira, doméstica, natural do Assú, e ambas residentes nesta freguesia, receberam-se em  matrimonio André Avelino da Trindade Filho, e Maria de Lourdes Batista, ele, solteiro, funcionário público, com 28 anos de idade, nascido em Angicos, aos 22 de novembro de 1911, batizado em tenra infância, e residente na Praça André de Albuquerque, nesta freguesia, filho legítimo de André Avelino da Trindade, casado à 2ª vez, agricultor, com 55 anos, natural de Angicos, e de sua 2ª esposa d. Isabel  Martins da Trindade, doméstica com 52 anos, natural de Angicos, onde se casaram e residem, e, ela, solteira, professora pública, com 20 anos de idade, nascida em Natal, aos 5 de dezembro de 1914, batizada em  tenra infancia  e residente a Rua Voluntários da Pátria, 655, desta freguesia, filha legítima de Olympio Batista Filho, casado a 2ª vez, funcionário da Central, com 52 anos, natural de Natal, residente a rua 21 de março, e de sua 1ª esposa d. Maria Luiza, falecida, nesta freguesia, após o casamento a nubente passou a assinar-se Maria de Lourdes Batista da Trindade, e para constar mandei lavrar sete termo que assino.
Andre Avelino e Thiago, meu filho, em Angicos

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O ELO PERDIDO DA PONTE



José Narcélio Marques Sousa, engenheiro civil


O elo perdido da ponte

Quem ainda não viu precisa assistir a repetição do programa “Conversando com Augusto Maranhão”, que aborda a pesquisa de Manoel de Negreiros acerca da ponte metálica sobre o Rio Potengi, em Igapó. Não se trata de uma produção padrão TV Globo, contudo em nada fica a dever à afamada emissora no quesito saber prender a atenção do telespectador.
Manoel de Negreiros é engenheiro civil e começou a pesquisar a ponte de Igapó há quase duas décadas. Segundo ele, seu interesse pela ponte metálica surgiu depois de ler um texto meu no “O Poti”, escrito em abril de 1994, tratando dos 78 anos de inauguração da obra. O engenheiro-pesquisador elaborou um trabalho meticuloso que também é tese de mestrado e, em breve, terá o formato de livro. Negreiros mergulhou fundo para preencher lacunas, estabelecer fatos, ordenar datas e obter informações complementares ligadas à obra de engenharia implantada em Natal, no início do século XX.
Sua peregrinação levou-o a Darlington, na Inglaterra, para visitar a empresa que fabricou a estrutura da ponte. Lá obteve cópia do projeto original de engenharia, descobriu nomes de engenheiros projetista e executor da ponte, da empresa brasileira que contratou a obra com o Governo Federal e, até estabeleceu o ano em que a obra foi realmente concluída: 1914. Ou seja, dois antes de ser inaugurada durante o Governo Joaquim Ferreira Chaves, em 20 de abril de 1916.
A pesquisa de Negreiros, rica em detalhes, chega ao ponto de identificar o tipo e a composição do cimento utilizado nos blocos de sustentação da estrutura metálica, a marca do primeiro automóvel a transpor a ponte quando transformada em rodoferroviária – um Opel -, e até os nomes de seus ocupantes.
Contudo, o extraordinário do trabalho deveu-se a um lance de sorte. Sabia-se que a ponte contratada constava de dez módulos metálicos com 50 metros cada, perfazendo 500 metros de extensão. Mas, eis que surge uma ponte com 520 metros e um dos vãos com 70 metros de comprimento. Qual o motivo da mudança? Por que um vão com 70 metros? Tudo faz crer que dificuldades na execução das fundações levaram os construtores a modificar o projeto. Criaram então um vão diferenciado da sequencia estabelecida alterando a simetria da obra, pois o vão de 70 metros não é central. Mas, qual destinação foi dada aos 50 metros do vão desprezado?
A informação de um ferroviário nonagenário desfez aquele mistério. O elo perdido da ponte de Igapó fora utilizado como pontilhão para transpor um riacho, no antigo ramal ferroviário de 28 quilômetros ligando Lajes a Pedro Avelino, inaugurado no dia 8 de janeiro de 1922. O impressionante é que o pontilhão está em excelente estado de conservação guardando os traços da ponte principal inaugurada.
Louvável é a amplitude do trabalho encetado pelo pesquisador. Lamenta-se que o resgate da memória daquela obra de arte especial, exalte o descaso do poder público na preservação de símbolos da vida do nosso povo. Sim, pois o que restou da antiga ponte metálica de Igapó é um esqueleto incompleto, distorcido e enferrujado. Se houvesse um pouco de sensibilidade em gestores públicos, bem que valeria a pena tentar recuperar a velha ponte de Igapó, e assim resgatar um pouco da memória tacanha da evolução das estradas de ferro no Rio Grande do Norte. Sem essa possibilidade, só nos resta aguardar as novidades contidas no livro de Manoel Fernandes de Negreiros Neto.



domingo, 25 de agosto de 2013

DIA DO SOLDADO BRASILEIRO


25 DE AGOSTO
DIA DO SOLDADO
DUQUE DE CAXIAS


BIOGRAFIA
Marechal de Exército- Luís Alves de Lima e Silva - Duque de Caxias - Patrono do Exército Brasileiro (25 de agosto 1803 - 7 de maio 1880)

"Nasceu na Fazenda de São Paulo, Vila de Porto de Estrela, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. 
Em 22 nov 1808, assentou praça como cadete no 1º Regimento de Infantaria, ingressando, posteriormente, na Academia Real Militar. 
Tenente, integrou o recém-criado Batalhão do Imperador, como ajudante, com ele recebendo o batismo de fogo, em 3 maio 1823, nas lutas pela independência na Bahia, quando pôde revelar excepcionais qualidades de iniciativa, comando, inteligência e bravura.

Com pouco mais de 20 anos, já era capitão e participou, ainda com o Batalhão do Imperador, da Campanha da Cisplatina.

Em 2 de dezembro 1839, já Coronel, passou a encarnar a auréola de Pacificador e Símbolo da Nacionalidade, ao ser nomeado Presidente da Província do Maranhão e Comandante-Geral das Forças em Operações, para debelar a "Balaiada", após o que recebeu o título de Barão de Caxias e a promoção a Brigadeiro. Entrou na História como "O Pacificador" e sufocou muitas rebeliões contra o Império.

Também pacificou São Paulo e Minas Gerais, em 1842, razão por que foi promovido a Marechal-de-Campo graduado.
Em fins de 1842, foi nomeado Presidente e Comandante-em-Chefe do Exército em operações no Rio Grande do Sul, para combater a Revolução Farroupilha, que já durava 8 anos, e ao término da qual foi efetivado como Marechal-de-Campo, eleito Senador pelo Rio Grande do Sul e distinguido com o título de Conde.
Em 1851, foi novamente nomeado Presidente e Comandante-em-Chefe do Exército do Sul. Desta feita, para lutar contra Oribe, no Uruguai, e, logo a seguir, contra Rosas, na Argentina.
Vitorioso mais uma vez, foi promovido a Tenente-General e elevado à dignidade de Marquês.
Em 16 junho de 1855, foi Ministro da Guerra e, em 1856, Presidente do Conselho de Ministros, ambos pela primeira vez.
Em 10 de outubro de 1866, foi nomeado Comandante-em-Chefe das Forças do Império em operações contra as tropas do ditador Lopez do Paraguai, sendo efetivado no posto de Marechal-de-Exército, assumindo, em 10 de fevereiro de 1867, o Comando-Geral das forças em operações, em substituição ao General Mitre, da Argentina.
Segue-se uma série de retumbantes vitórias, em Itororó, Avaí e Lomas Valentinas, a rendição de Angustura e a entrada em Assunção, quando considerou encerrada a gloriosa Campanha por ele comandada. "Pelos relevantes serviços prestados na Guerra do Paraguai", o Imperador lhe concedeu, em 23 março de 1869, o título de Duque - o mais alto título de nobreza concedido pelo imperador.
Caxias foi Ministro da Guerra e Presidente do Conselho de Ministros por mais duas vezes; a última de 1875 a 1878.
Faleceu na Fazenda Santa Mônica, nas proximidades do Município de Vassouras - RJ, sendo o seu corpo conduzido para o Rio e enterrado no Cemitério do Catumbi.
Hoje, os restos mortais do Patrono do Exército e os de sua esposa jazem no mausoléu defronte do Palácio Duque de Caxias, no Centro do Rio de Janeiro".


Sigam-me os que forem brasileiros
é a célebre frase do Soldado Brasileiro,
Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, na guerra do Paraguai.
VELHO BORZEGA
Meu borzega esfolado,
dos tempos da mocidade,
de sola gasta em paradas,
nas alvoradas sem fim.
Biqueira empinada, bonita,
como cavalo de chefe,
talão comido de um lado,
de tanto se apresentar.
Quando te vejo acabado,
envelhecido de usar,
não sei porque me entristeço,
e quase me ponho a chorar.
O salto que era tão forte,
a cor preta traquejada,
não tem mais aquele garbo
do praça rijo que fui.
Te recordo meu borzega!
Como se fosse meu corpo,
batendo no chão com cadência
pros outra entusiasmar.
Velho borzega estropiado
de tanto serviço e instrução,
refletes o viver do soldado
com toda recordação.
Hoje ao te ver empoeirado,
no canto do meu porão,
não posso impedir, baixo os olhos
e me ponho a recordar.
Quando te recebi na reserva,
duro como instrutor,
eras como a nossa mocidade,
que parece não se acabar.
E agora velho borzega?
Que volto a te contemplar,
percebo, não és bem de couro
como era o meu pensar.
É que de repente me vejo
em ti, que agora não brilhas
com muito mais nitidez,
do que nos tempos de outrora.
Então entendo, borzega velho,
desmontado pelo usar
porque durante esses anos
eu evitava de te olhar.
É que me recordando o passado
dos tempos de militar,
representas um espelho,
onde envelheço ao meu olhar.
Autor: Pedro Américo Leal
Enviado por: Manoel Rubens

Principais homenagens tributadas a Caxias

a. Caxias, “Nume Tutelar da Nacionalidae”, foi tudo! Marechal do Exército, Conselheiro de Estado e da Guerra, Barão, Conde, Marquês, Duque, Presidente e Pacificador de Províncias, Senador (pelo RS), Deputado (pelo Maranhão, eleito, mas não empossado), três vezes Ministro da Guerra e três vezes Presidente do Conselho de Ministros! E o Brasil soube reconhecer os beneméritos serviços por ele prestados à Pátria – “nossa Mãe-Comum”. Por esses “brasis” existem incontáveis monumentos, logradouros públicos, escolas, etc, que ostentam o augusto nome do maior vulto militar da História do Brasil. Dentre essas honrarias, sobrelevam-se as denominações de duas importantes cidades: a de “Duque de Caxias”, no Rio de Janeiro, e “Caxias do Sul”, no Rio Grande do Sul (diga-se, por ilustrativo, que a cidade de Caxias, no Maranhão, onde o então Coronel Luiz Alves venceu o último foco dos rebeldes, quando da “Balaiada”, deu origem ao seu primeiro título nobiliárquico – o de Barão de Caxias).

b. Caxias foi instituído, no ano das festividades do  duocentenário de seu nascimento, mediante a Lei n° 10.641, de 28 Jan 2003, “Herói da Pátria”. Por isso, o nome do Herói foi inscrito no “Livro dos Heróis da Pátria” (é um grande livro de aço que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília), por ocasião de bela cerimônia ocorrida em frente ao Quartel-General do Exército, na Capital Federal.
c. No Exército Brasileiro, a impoluta memória de Caxias começou a ser reabilitada de um semi-anonimato (ao qual foi relegada pelo sectarismo positivista-republicano), em 1923, pelo Ministro da Guerra, General Setembrino de Carvalho. Ele instituiu, pelo Aviso n° 443, de 25 de agosto de 1923, a “Festa de Caxias”. Posteriormente, por meio do Aviso n° 366, de 11 de agosto de 1925, o mesmo Ministro criou o “Dia do Soldado”, também a ser comemorado na data natalícia do Duque. Naquele ano de 1925, sob o influxo das diretrizes do Ministro da Guerra, a Turma de Aspirantes-a-Oficial da Escola Militar do Realengo escolheu a denominação histórica de “Turma Duque de Caxias” (aliás, a Turma de 1962, da Academia Militar das Agulhas Negras, à qual pertence o atual Comandante do Exército, General de Exército Enzo Martins Peri, também ostenta, com muita ufania, a denominação de “Turma Duque de Caxias”).
Outro momento histórico de grande relevância no enaltecimento de Caxias, pela Força Terrestre, se deu por ocasião do comando do então Coronel José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, na Escola Militar do Realengo (1931/4). Este militar, de elevadíssimos méritos, implantou, naquela Escola, várias místicas alusivas a nosso glorioso passado, sendo as maiores delas a instituição do título de “Cadete”, para os então alunos da Escola, e a criação do espadim, réplica do invencível sabre do “Condestável do Império’ e “Unificador da Pátria”.
O Duque de Caxias foi proclamado “Patrono do Exército”, consoante o Decreto n° 51.429, de 13 de março de 1962.
O glorioso e invicto Exército do qual ele é Patrono, possui as seguintes Organizações Militares que exibem o seu venerável nome, com indescritível orgulho, em suas denominações históricas: “Forte Duque de Caxias”, no Rio de Janeiro (RJ); “Batalhão Barão de Caxias”, que é o 24° Batalhão de Caçadores, de São Luís (MA); “Grupo Conde de Caxias”, que é o 3° Grupo de Artilharia Antiaéreo, de Caxias do Sul (RS); “Companhia Praça Forte de Caxias”, que é a 13ª Companhia de Comunicações, de São Gabriel (RS) e o “Batalhão Duque de Caxias”, que é o Batalhão da Guarda Presidencial, de Brasília (DF).
Fonte: Alguns apontamentos extraídos de artigo de Manoel Soriano Neto, Cel Ref, Historiador Militar, ex-Chefe do  CDocEx.retirados da internet. 

sábado, 24 de agosto de 2013

Casamento de Ulisses Cavalcanti e Fanny Ferreira Leite


Por João Felipe da Trindade

Aos vinte e cinco de setembro de mil novecentos e quarenta às 7 e ½ horas, nesta Catedral de Nossa Senhora da Apresentação, depois de feitas as habilitações canônicas e demais formalidades, presentes, dispensados os proclamas pela autoridade diocesana, nos termos da justificação sumária sobre o estado livre e desimpedido dos contraentes, não aparecendo impedimento algum, quer canônico, quer civil, como se vê do processo, que sob o número 17.363, fica arquivado nesta freguesia, por palavras de presente, na forma do ritual romano, em minha presença e na das testemunhas, dr. Francisco Ivo Cavalcanti, advogado, e sua esposa d. Júlia Barbosa Cavalcanti, professora, naturais desta freguesia, onde residem a Av. Rio Branco, 631, Dr. José Ivo Cavalcanti, casado, médico, natural de Natal, e sua esposa d. Josefina Cavalcanti, de profissão doméstica, natural de São Miguel de Jucurutu, e residentes a Av. Rio Branco, 624, desta paróquia, receberam-se em matrimonio tenente Ulisses Cavalcanti e Fanny Ferreira Leite; ele solteiro, militar com 25 anos de idade, nascido nesta freguesia, ao 1º de julho de 1915, batizado a 5 de dezembro do mesmo ano, nesta catedral e residente a R. Otávio Lamartine, filho legitimo de Dr. Francisco Ivo Cavalcanti, casado à 2ª vez, advogado, com 54 anos, natural de Natal, onde reside a Av. rio Branco, 631, e de sua 1ª esposa d. Ercilia (Hercília) de Araújo Cavalcanti, falecida a 13 de março de 1930, à Av. Rio Branco, nº 631, desta Freguesia; ela, solteira, de profissão doméstica, com 24 anos de idade, nascida em Curitiba, capital do Paraná, aos 7 de setembro de 1916, e batizada a 4 de setembro de 1917, e residente nesta cidade, filha legitima de Júlio Ferreira Leite, funcionário público do Estado, com 61 anos, natural do Paraná, e de Aldolfina Luiza Volf Ferreira Leite, de prendas doméstica, com 54 anos, natural de Curitiba, casados civilmente, por ser a mãe da nubente protestante, e residentes na referida Curitiba do Paraná, a nubente passou a assinar-se Fanny Leite Cavalcanti, casou-se civilmente em Curitiba a 6 de julho de mil novecentos e quarenta. E para constar, mandei lavra este termo que assino.

Filipe Camarão - Construtores do Brasil

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Lembrando o Grande Ponto do meu tempo



JAHYR NAVARRO, médico


Parece que tudo se adapta melhor na retina depois que as lágrimas de saudade lavam o quadro já desbotado das recordações.


            O Grande Ponto do meu tempo de rapaz representava o coração da cidade. Era o lugar onde todo mundo parava para conversar e ter conhecimento das últimas novidades. Dali, também saíam as notícias que se espalhavam a todos os recantos, propagadas pelos seus próprios frequentadores. O Grande Ponto era o centro de tudo. O seu espaço físico sempre foi diminuto. Restringia-se a um pequeno trecho da Rua João Pessoa, interligando a rua Princesa Isabel com a avenida Rio Branco. Já o seu espaço virtual ficava circunscrito ao prolongamento de suas artérias.
            Quando Câmara Cascudo escreveu sobre esse tema, parecia que tudo estaria sepultado pela exposição que fez com tanta sabedoria e competência. Contudo, o assunto voltou à tona numa sequência intermitente de artigos reportando a importância de suas fases na vida de muitas gerações. Muita gente procurava - como pretexto - fazer suas compras no comércio das imediações, para num "pit stop", se inteirar das últimas notícias no Grande Ponto.
            Realmente, tudo que acontecia na cidade, acontecia primeiro no Grande Ponto. Nele, ficavam as paradas dos bondes com as linhas do Tirol e de Petrópolis, algumas paradas dos poucos ônibus que existiam, gente oriunda de outros bairros fazendo compras, além das reuniões de rapazes no final de cada tarde. Esses grupos ficavam como ilhas, dispersos e cada qual com sua peculiaridade determinada pela afinidade entre seus componentes. Já no finalzinho da tarde começava a chegar a turma do "anel" - médicos com consultórios na redondeza - à frente o dr.Grácio Barbalho e o dr.Antônio Montenegro. Geralmente eles ficam ao largo, nas imediações da lanchonete Dia e Noite, ainda na João Pessoa. Era mais um grupo que mesmo por perto, permanecia distante.
            Essas reuniões perduravam o tempo necessário até o cair da tarde. Alguns permaneciam ou retornavam à noite quando assistiam o desfile das beldades que se dirigiam à sessão das oito no cine Rex ou Nordeste. Na calada da noite, começava a chegar a turma de Djalma Maranhão, trazendo a tiracolo o jornalista João Cláudio Machado, cujo assunto girava entre política e o futebol.
            O poder de memória não é perfeito - como já sabemos - mas guardo desse Grande Ponto do meu tempo, quase todas as residências comerciais e particulares que contribuíram para o seu formato. Na esquina da Rio Branco coma João Pessoa, ficava a residência da viúva do sr. Joca Freire, transformada depois num restaurante de classe. Junto, ficava o consultório do dr. Onofre Lopes e na parte térrea desse prédio estava localizado o Caldo de Cana de Macêdo. Depois, a Casa Vesúvio de Maiorana, a Confeitaria Helvética de Múcio Miranda. Ao lado uma residência de um militar que ficava sempre fechada. Continuando, a barbearia Santo Antônio, de Antônio Guedes. Em seguida, a joalheria Nasser  dos meus amigos Nazir e Farouk e na esquina o Café Botijinha, do sr. Jardelino Lucena.
            No lado oposto, confrontando com a padaria do sr. Teódulo Lucena, gerenciada pelo seu Lionel, ficava a sorveteria Cruzeiro. Depois, a farmácia Brasil, Waldemir Germano - leia-se fotografia - o Café Maia de Rossine Azevedo, lojas Setas, a Confeitaria Cisne e no final na parte térrea do edifício Amaro Mesquita, o Café Grande Ponto.
            Apesar de desfigurado pelas modificações realizadas ao longo do tempo, o Grande Ponto ainda permanece o mesmo na mente de muitos - como eu - que ali vivenciaram uma boa parte da vida. Por isso, quando por ele caminho, não me perco nos meus passos, pois tudo me conduz pela mesma trilha de antigamente. Mas, ficam cada vez mais vivas as lembranças, que entristecem, quando recordo a juventude - que já se foi - os amigos que de alguma forma já partiram e o que restou desse velho relicário tão conhecido. Hoje, ao meu lado, apenas a saudade desse tempo e a nostalgia, companheiras inseparáveis e sempre presentes nessas ocasiões.
            A nostalgia torna as nossas defesas mais sensíveis e frágeis quando buscamos o passado. Parece que tudo se adapta melhor na retina, depois que as lágrimas de saudade lavam o quadro já desbotado das recordações.





HOMENAGEM AO DIA DO FOLCLORE 

através da verve de um poeta potiguar
Foto: Gibson Machado
Texto: Ivam Pinheiro
 
Minha homenagem ao Dia do Folclore, e é claro as felicitações de reconhecimentos
 e agradecimentos aos personagens da história, batalhadores cotidianos que com seus trabalhos de suor, angústia e alegrias de fazer o que gostam, em muito dignificam o fazer cultura e artes no chão potiguar. Em nome de todos quero
dedicar esse poema aos amigos pesquisadores e incentivadores da boa cultura popular potiguar -Gimalves Gma e Gberg Costa.

DE POESIA E FOLCLORE.
Ivam Pinheiro.

Folclore...
É o sentir popular.
Amar e ter toda fé
na aura da alma do povo.

Chás medicinais e comidas.
Boi de reis e o coco zambê
Fadango, congos e lapinha.
Caboclinhos que caminham
indios e espontão a vencer
e a romanceira versa vidas.

As estórias nos cordéis.
Parlendas, voz cantada.
Pavão misterioso – céu
de boi bumbá calembá.
Pastorinha traz o tema:
verso popular e poesia.
Fita azul ou encarnada
dos folguedos e magia.

Capelinha de melão, o são joão.
Banderinhas e dança a araruna,
Malhação do judas e tear a fiar
crendices e loucas superstições
de lobisomens - lendas do lugar.
Mau olhado só boa reza apruma.

Folclore...
É sabedoria do lugar.
Cantar, dançar e rir até
alegrar o coração de novo. 


Natal, RN, Brasil, 22.08.2013.
23 h: 13 min. - 23 h: 55 min.

Brincante do Folclore - Foto: Gibson Machado.
Imagem disponível na página pessoal do autor
na rede social "Facebook" - em 23.08.2013