terça-feira, 30 de junho de 2015

MUITO MAIS DO QUE LINDA.

Dizer que Natal é linda é muito pouco. Natal é muito mais do que linda.
Natal, a "Praieira" dos versos de Othoniel Menezes, a "Baby Linda" cantada por Pedro Mendes, cidade de tantos e tão extasiantes encantos, capital do nosso Estado, lugar aonde orgulhosamente nasci e fui criado.
Apesar do meu imenso amor por Caicó, minha terra de adoção, capital do meu Seridó amado, Natal sempre residirá em meu coração, sempre será a minha terra, o lugar de onde provém as minhas lembranças de infância e de adolescência, o lugar aonde o encanto não tem fim, a esplendorosa "Noiva do Sol", no dizer do Mestre Cascudo, a cidade aonde a beleza foi morar.
Pena que esse lugar tão lindo, tão cheio de charme e beleza, seja também uma terra de tantas contradições, de tamanhas injustiças e paradoxos, aonde o povo ainda anseia, após esses 416 anos,por uma gestão efetivamente popular, posto que, talvez, com a exceção do mandato de Djalma Maranhão, Natal sempre foi governada pelos mesmos nomes, grupos e famílias que representam o seu lado menos belo: uma pseudo elite, pernóstica, insensível, alheia aos interesses sociais, que só pensa em si própria e que, apesar de todos os seus imensos erros históricos, nem assim, conseguiu eclipsar a beleza de um lugar tão maravilhoso.
E hoje, da solidão do meu quarto, aqui em Caicó, ao contemplar essa linda fotografia, não pude deixar de lembrar de como amo Natal, de como ela é, e sempre será,para mim, a capital litorânea da beleza e da magia de uma terra que vai dormir escutando o murmúrio das ondas e contemplando a luz das estrelas deste céu tão lindo que ela possui, essa terra que seduz e encanta a todos que a conhecem.
E essa doce recordação de Natal, fez-me sonhar acordado e partir, voando em pensamento, para junto à Cidade do Sol, tão chuvosa nos meses de Junho, entoando baixinho, os versos de uma linda canção baiana que fala do amor à encantadora capital potiguar "Natal como eu te amo, como eu te amo Natal" .
Caicó, 29.06.2015

segunda-feira, 29 de junho de 2015

ABC FUTEBOL CLUBE (CENTENÁRIO)

 
 
O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE registra o fato histórico da fundação do ABC Futebol Clube fundado em 29 de junho de 1915 (Dia de São Pedro) através do anseio de um grupo de jovens atletas, ávidos para criar um clima desportivo capaz de alavancar novos tempos para uma província ainda em dificuldades econômicas decorrente do período de guerra no continente europeu, mas com reflexos na América do Sul.
O local foi a residência do Coronel Avelino Alves Freire, respeitado comerciante e presidente da Associação Comercial do RN, no bairro da Ribeira, logo no início do horário vespertino, pelas 3 horas, na avenida Rio Branco, aos fundos do Teatro Carlos Gomes, hoje Alberto Maranhão
Concretizado o sonho, ficou igualmente aprovado o nome do novo clube: ABC FUTEBOL CLUBE, em homenagem ao Tratado Argentina, Brasil e Chile, aprovando sugestão do sócio-fundador José Potiguar Pinheiro e por proposta do filho do coronel Avelino Freire, João Emílio Freire, que as cores preto e branco seriam adotadas como oficias pelo clube a partir daquele momento. Com o passar do tempo conquistou o apelido de O mais querido.
 
O historiador potiguar Luís da Câmara Cascudo criou uma frase antológica sobre o time: "Numa cidade chamada Natal existe um povo chamado ABS."
O Clube tem a data de 29 de junho declarada como "Dia do ABC Futebol Clube", através de lei municipal sancionada no dia 21 de julho de 2008.
P A R A B É N S.

 
NAS ENTRELINHAS DA VIDA PÚBLICA

 Valério Mesquita, escritor (Presidente do IHGRN)

Certos homens adquirem uma visibilidade tão marcante em seu campo de atuação que se tornam imprescindíveis aos seus contemporâneos, na medida em que suas opiniões e convicções passam a determinar modos de ver e de interpretar os acontecimentos da vida social. É que aos olhos deles nada daquilo que importa passa ao largo.
Assim vejo e identifico o meu primo irmão Ticiano Duarte. Desde a antiga rua 13 de Maio, depois Princesa Isabel, quando o conheci efetivamente e melhor, lá pelos idos de 1950. De 1954 em diante fui revê-lo na rua Voluntários da Pátria, nº 722, Cidade Alta, telefone 2901. Ele era já expressão do “bate papo” no Grande Ponto, seu fiel ancoradouro, onde tornara-se notário público e destemido navegante das ruas e avenidas da política potiguar. Bacharel em Direito da Faculdade de Maceió, torna-se decano do jornalismo da imprensa potiguar, atividade da qual goza de ilibada notoriedade por sua isenção e imparcialidade nos juízos dos acontecimentos da política. Seu memorialismo, ganha ritmo de crônica e embasamento de historiador. Em seus escritos é possível intuir aquele saber de experiências, traço que distingue o verdadeiro homem de visão de um mero prestidigitador de quimeras.
Presença fecunda na imprensa norte-riograndense, a colaboração de Ticiano Duarte para a Tribuna do Norte rendeu, numa primeira seleção, o livro “Anotações do meu caderno” (Z Comunicação/Sebo Vermelho, 2000), reunindo os principais fatos políticos dos últimos 70 anos do século passado no Rio Grande do Norte. A precisão das análises, a escolha dos protagonistas, a evolução dos acontecimentos e o retrospecto dos episódios que marcaram profundamente as vicissitudes da política potiguar encontram ali o seu cronista mais atento e informado, imparcial e verdadeiro. Neste seu novo livro, objetivamente intitulado “No chão dos perrés e pelabuchos”, avultam as mesmas qualidades que consagraram “Anotações do meu caderno”, com a única diferença de que agora ele se detém com mais vagar na descrição de perfis e na análise comparativa dos fatos, mesmo separados por décadas. Vultos inesquecíveis da vida pública estadual, como Djalma Maranhão, Georgino Avelino, Café Filho, Aluízio Alves, Odilon Ribeiro Coutinho (“mistura de tabajara e potiguar”), Tales Ramalho (“paraibano por acidente, norte-riograndense pelas grandes ligações familiares, e pernambucano por adoção”) são algumas das estrelas de primeira grandeza dessa constelação de escol. Cronista, para quem a política não pode se dissociar da ética, sob pena de naufragar nos desmandos de governantes e correligionários, Ticiano faz o elogio dos políticos exemplares perfilando a figura de Café Filho porque, justifica, “o povo espera dos homens públicos, exemplos. E alguém disse, com muita propriedade, que o importante não é só pregar moral apenas para os outros, censurando nos outros o que silencia entre amigos e parceiros”. Ao fazer o elogio da lealdade e da coerência, ele retira do limbo o nome de Walfredo Gurgel, ressaltando que “o seu governo foi um exemplo de seriedade no trato e na gestão da coisa pública. Todo o Rio Grande do Norte sabe desta grande verdade, mesmo seus adversários não podem omiti-la, por mais que o tenham combatido no campo das idéias e das diferenças partidárias”.
Em “No chão dos perrés e pelabuchos” ainda é possível encontrar silhuetas de políticos esquecidos pela História mas preservados, por exemplo, numa Acta Diurna de Luís da Câmara Cascudo, como Hermógenes José Barbosa Tinoco, deputado do Partido Liberal que a voragem do tempo soterrou; os entreveros entre pelabuchos e perrés que incendiaram o paiol das agremiações políticas dos anos 1930 que não escapam à argúcia focada por Ticiano sobre os atores da nossa história.

Ele propõe e reforça as teses daqueles que defendem a necessidade de uma urgente reforma política a fim de repor o país nos trilhos da ética e inaugurar uma nova era na vida política brasileira. O seu olhar espelha neste livro o brilho e a lucidez dos seus brancos cabelos, ainda atentos para ver a vida e o mundo.

domingo, 28 de junho de 2015

JUSTA HOMENAGEM
 

LÚCIA HELENA PEREIRA, que é conhecida como a “POETA DAS FLORES”, tal o seu amor a essas criações da natureza, tal a tessitura dos seus poemas, cheios de beleza e dos achegos dos bogaris, dos jasmins e das açucenas.
É uma poética dos sentimentos e dos sentidos. No primeiro caso, porque a poetisa vive – suspira, ama, sofre – e se transporta para cada um dos seus escritos. No segundo, porque os senti
dos dos leitores são capazes de perceber a mensagem transmitida como manifestação de uma energia condensada exposta em cores e aromas, como nas flores. [...]
Acostou-se timidamente aos astros e estrelas, meio sem jeito, porque não se achava iluminada para brilhar com luz própria. Mas tentou, ousada que é, e perseverou. [...]
Mantém o lirismo plangente, a delicadeza dos temas, o intimismo, a celebração da natureza, mas expurgou a métrica e a rima, num gesto de rebeldia e espírito libertário.
Pois é criatura que precisa de muito espaço – alguma coisa que se assemelhe ao vale verde da infância – e de expressão desabrida, espontânea, franca, características que não podem ser contidas pela rigidez da metrificação, nem pela submissão às rimas.
Nem por isso, perde a sua poesia em essência e em encanto. Acaso a perdeu Adélia do Prado, Marise de Castro, Diva Cunha?
Por que só falei de mulheres? Se sou machista ou segregador? Nada disso. Tanto que usei a expressão “poeta” ao invés do discriminador “poetisa”. É que apesar dos maravilhosos poetas masculinos, reconheço na poética feminina um calor e um afago sem precedente dentre os homens.
Elas têm um útero e são o centro do universo. O coração feminino só é comparável às suas próprias lágrimas, mais santificadas no sentimento da concepção e do abandono. A tristeza é fêmea, a lágrima também, a dor, a fidelidade. Já observaram que a maioria dos sentimentos flexiona-se no feminino?
Lúcia é espaçosa – a sua generosidade, o seu espírito dadivoso e solidário a expandem. Não a fazem maior do que já é, mas ampliam o seu espírito e a duplicam numa só. De fato há duas Lúcias Helenas. Uma, que é espécie vegetal, floral. Outra que é colibri, libélula, que paira sobre as fundações planetárias, fixando-se em pleno ar, para melhor vê-las.
Nesse instante de vôo, vê-se flor temporã intimorata, observa a sua criação, e a obra divina. E sua humana constituição se restitui. Ai descontrói-se, desmonta-se, pedaço por pedaço, chora a própria descontrução e depois ri-se do desperdício das lágrimas porque se sabe capaz de reconstruir-se sempre.
Eis porque a sua poesia é feita de peças de demolição, um grande quebra-cabeças, um jogo de montar em que o brincante, à moda dos repentistas, tem de decifrar os seus motes, para concluir a glosa.

Texto do Patrono da ACLA, Pedro Simões Neto.

POEMAS DE LÚCIA HELENA PEREIRA
A poeta é ocupante da Cadeira número 4 da ACLA

QUERO ESTRELAS BRANCAS EM MEU VÉU AZUL

Quero estrelas brancas em meu véu azul,
Para entrar no céu, como anjo iluminado
Que se embeleza nas nuvens!
Quero estrelas douradas em meu véu de luz,
Como noiva num deserto, coberta de sol e imensidão,
Buscando oásis, palmeiras e um lindo corcel negro.
Quero estrelas banhadas em meus rios luminosos,
Rios da infância distante,
Como o rio d´água azul do meu vale de infância!
Quero estrelas de esmeraldas em meu véu-canavial,
Para enfeitar o vale onde nasci,
Entre engenhos, riachos e olheiros!
Quero estrelas feitas só de sonhos, para este poema.
Que elas brilhem sobre as pequeninas palavras
E possam salvar a parte do universo triste e infeliz!
Quero estrelas! Lindas! Brilhantes! Fulgurantes,
Apenas estrelas, solitárias ou em cortejos de luz,
Engrinaldando a coroa de LUZ dos meus olhos!

CEARÁ-MIRIM, DE VERDE E LUZ

O vale verde, sereno
Vestiu-se de poesia,
Com palavras de Adele, Juvenal e Etelvina,
Dizendo coisas de amor
Naquele chão canavial,
Na hora linda de vespertina luz!

Uma cidade histórica
De imensos casarões
Que o tempo não desfaz
E onde as sinhás passeiam
E os engenhos resistem
com bueiros apitando
As sinfonias do tempo

Ceará-Mirim das Sinhás
Das mucamas e das praças
Com suas moças bonitas,
Coronéis, almofadinhas,
Todos tão inocentes,
Sonhando beijos e beijando sonhos.

O vale verde tem sua luz diáfana
Iluminando tudo ao redor,
Desde os rios cativantes,
Aos degraus da Matriz
com sua imponência e sedução.

Ceará-Mirim da Academia Cearamirinense de Letras e Artes
" Pedro Simões Neto", cujos patronos
Representam nosso orgulho:
Edgar Barbosa, Nilo Pereira, Meira e Sá,
Madalena Antunes, Pedro Simões Neto,
Juvenal Antunes de Oliveira e tantos outros,
Abrilhantando a alegoria do cenário de luz
Da inteligência de um povo!

Esboço biográfico do Barão de Ipojuca

Esboço biográfico do Barão de Ipojuca
Je me viens pas pleurer sur sa cendre; Il me faut pleurer que sur celle des méchants: car ils ont fait le mal, et peuvent plus le reparer. M. Thomas (Elog. De Marco A.)
A morte de um homem notável por serviços e qualidades assinala a época de um grande infortúnio para a geração que o perde. O finamento de uma existência que avultou nas lides políticas de seu tempo, que adquiriu o direito de cidade pela importância do papel que lhe coube representar na área em que floriu é um fato que não deve passar indiferente aos olhos da sociedade contemporânea.
“No meio de lutas microscópicas, das transações interesseiras, das cóleras artificiais, dos antagonismos pigmeus, das ciladas e ardis, das rivalidades e egoísmos, das argúcias e futilidades”, seria requintar o quadro de nossas misérias sociais o olharmos com indiferença para a lápida que cobre as cinzas de um cidadão benemérito, a quem a pátria deveu sacrifícios, os princípios, dedicação, os amigos, lealdade, a lei os cultos do respeito. Valeria tanto como desdenhar a poética religião dos espíritos, grave e saudosa como a do túmulo, piedosa e grata como a do berço. O elogio dos finados é a apologia da civilização, da moralidade de um povo; é a voz de natureza que se exalta na crença do seu destino mortal.
O sepulcro acaba de engolir o invólucro caduco de um grande espírito, de um lidador infatigável, à um soldado destemido da pátria. O barão de Ipojuca, outrora João do Rego Barros, já não vive; cedeu por fim aos direitos da morte! Lutou; mas nesse lutar, sublime de resignação cristã; provou quanto valia a rigidez de seu ânimo! o combate ardeu em campo desigual; a sua luta era com o destino: devia sucumbir!
Apreciar as feições deste grande caráter; designar-lhe os dotes que o enobreceram, as qualidades que o recomendaram à estima pública, é  empenho nimiamente delicado. Ele viveu até ontem. Se numerosas afeições o circundavam, e diziam nele um tipo completo de virtudes cívicas; do outro lado, ódios pequenos, emulações obscuras, calunias, anônimas, que são o limbo expiador das vocações enérgicas, dos méritos superiores, e incompreensíveis à turba dos maldizentes, não raro procuram desbotar-lhe os matizes que realçavam a teia de suas ações.
Mas, em honra de seus êmulos, entre os quais os houve leais e cavaleiros, é força dizer que eles próprios, se no calor das porfias se irritavam com os arranjos de seu  gênio altivo e fogoso, eram os primeiros a fazer justiça aos timbres de seu belo caráter.
João do Rego Barros, homem deveras homem na tempera e na segurança da palavra, era ao mesmo tempo daqueles de quem dizia Sá de Miranda:
De um peito aberto e limpo e fé lavada!
No momento da contrariedade arcava como Leão, e, no medir das armas, muitas vezes saia de si, e irrompia como o raio! Mas, esvaecida a fervura do sangue e apaziguada as paixões que turbilhonavam naquela grande alma, ei-lo tão outro e tão longe do que parecera, quanto vai do Leão ao Cordeiro! Era tão pronto em assomar-se quanto fácil em arrefecer. Não sabia deixar sem perdão qualquer ofensa sofrida, e sem arrependimento qualquer excesso a que seu gênio o arrastava.
Houve uma época em que os sucessos políticos da província nos aproximaram e nos puseram em quase intima convivência. Foi nesses dias de negregada memória, de provocações acerbas, em que os ânimos incendiados no fogo das rivalidades estragavam  em muitas represálias a seiva dos mais nobres instintos, que eu tive ocasião de conhecer de perto os invejáveis predicados de João do Rego Barros. Testemunhei alguns rasgos seus em matéria de beneficência, que incontestavelmente o colocam na gloria dos beneméritos da humanidade.
Ninguém lhe levou a melhoria nas práticas da virtude hospitaleira. Seu engenho era o asilo de quantos, batidos do infortúnio, buscavam os auspícios de seu padroado. Dessa facilidade em acolher desvalidos a malevolência de desafetos seus buscou pretextos  para caluniar suas intenções, inculcando-o como apaniguador de díscolos; mas, no correr dos tempos, logrou convencê-los de que um sentimento mui diverso o guiava, e que jamais o crime encontrou guarida em sua sombra.
Este sistema de proverbial aquiescência a todos que o procuravam; o bom ânimo e singular liberalidade com que abria os cofres de sua benevolência aos seus vizinhos e conterrâneos; o ar de simpática e prazenteira familiaridade que transluzia em sua face para com todos; a pronta e decisiva identificação com os interesses e empenhos de seus amigos; o zelo com que os promovia e sustentava; a probidade austera com que se havia em  todos os seus negócios;  a singeleza expansiva de seus atos e maneiras, o tornaram dentro em pouco o ídolo estimado da população. Seu nome tornou-se o símbolo da popularidade, mas da popularidade espontânea, afetuosa, não mentida e violentada. O povo o amava e o temia. Amava-o porquê tinha nele o patrono de seus infortúnios; temia-o porquê ele em suas afeições, pelo povo, era antes de tudo e mais que tudo homem de justiça, incapaz de transigir com erros e crimes.
Ide a esta hora à Comarca de Cabo! Que vozes sentidas e magoadas não rompem de todos os tugúrios! Por ali andei em dias de janeiro deste ano: testemunhei o vivo interesse em que toda a gente inquiria melhoras  de João do Rego, e a expressão de intima angústia que se lhe divisava no rosto pelo estado indeciso  de seu restabelecimento.
João do Rego nasceu com disposição para viver larga vida; mas seu gênio inquieto e laborioso lhe não permitia resguardo, nem descanso diante da imagem dos deveres, a que o chamava a qualidade de pai de família extremoso e desvelado pela sorte de seus filhos, cujo  futuro procurava abrigar das precisões da indigência. Ele não reconhecia legitimidade na fortuna  que não fosse adquirida com o suor do rosto. Esse lidar incessante, esse arrostar de intempéries em todas as horas do dia e da noite, esse desprezar de sintomas que lhe indicavam uma causa mórbida que cumpria combater, lhe foram manso e manso lacerando os estames da vida. Chegou, porem, um dia em que o cansaço e a fadiga o prostaram enfraquecido.
Forçado então pela dureza das circunstâncias a cuidar de si, entrou em tratamento que, interrompidos a todos os instantes por viagens forçadas, lhe foram completamente ineficazes. Já quase moribundo, procurou nesta cidade, onde esperava que a medicina coletiva operasse o milagre de restituir-lhe o vigor dos músculos, alquebrados pelo longo roçar da enfermidade latente. Tudo, porem, foi baldado. As mais doces esperanças se resolveram em fumo; e a arte se declarou vencida! Ela fez o que pôde; mas ao impossível não se resiste! Os dias do grande lidador se tinham escoados na ampulheta do tempo!  Os médicos lhe aconselharam, como recurso extremo, que procurasse os climas do Ceará, que é hoje o vasto hospital dos inválidos da medicina.
 O ilustre enfermo, conhecendo que sua derradeira hora se achava prestes a soar, e que nenhum abrigo lhe era mais lícito esperar dos esforços humanos, volveu seus olhos ao Supremo Médico das nossas enfermidades espirituais! Com a resignação de homem verdadeiramente cristão, e tão rara nestes dias de materialismo prático, pediu e recebeu os sacramentos de igreja com a mais exemplar edificação! Preenchidos estes santos deveres, João do Rego, mais por condescender com os seus, do que por confiar no resgate dos seus dias, seguiu o destino que lhe indicaram os médicos, em companhia de sua querida esposa símbolo do amor conjugal e um dos seus filhos.
O vapor Igarassú recebeu essa desolada comitiva, e com ela demandou as regiões apetecidas. Até o Rio Grande do Norte o estado do enfermo não apresentou diferenças notáveis, e como que em sua fisionomia luziu por instantes um tênue lampejo de esperança. Eram os derradeiros e pálidos clarões que a luz irradia ao aproximar-se a sua extinção total!
Sua esposa e seu filho desejando pô-lo o mais pronto possível sob a influência e ação dos ares do sertão, resolveram subir pelo Rio Assú, e dali ao interior da província; mas ao chegaram à Ilha  das Cobras, sete léguas acima de Macau, correndo o dia 18 do passado, João do Rego, tendo tomado uma ligeira refeição, exalou o último alento, com a serenidade e placidez de um espírito ungido pelo ósculo do Senhor! A piedosa esposa, o extremoso filho cerralham-lhe as pálpebras e depositaram suas cinzas em um tosco, mas decente jazigo de um pequeno cemitério de Macau, servindo-lhes de eternas sentinelas uma pedra e uma cruz!
Assim acabou um dos mais belos caráteres de Pernambuco, cujo vácuo tarde ou nunca será preenchido no município de sua residência! Na idade de pouco mais de cinquenta e três anos. João do Rego Barros poderia ter cometidos faltas, mas não crimes. Assinalou-se por serviços importantes à sua pátria; ela que o chore, e o seu choro é um justo tributo à sua memória! E eu, que fui quinhoeiro, em sua lidas, em suas glórias e revezes, não poderia eximir-me de pagar-lhe também este último feudo de perenal saudade.
Recife, 4 de março de 1860. P. de C. (Diário de Pernambuco)
Transcrito do Correio Mercantil de 4 de abril do mesmo ano.
___________________
Colaboração do escritor JOÃO FELIPE DA TRINDADE

sábado, 27 de junho de 2015


Rotatórias: parem os quatro!
            Hoje pela manhã, no bom-dia RN, foi entrevistado um pessoal do trânsito para prestar esclarecimentos a respeito das “Rotatórias”, ou “Rótulas”. A única coisa que se falou foi que “quem já está no círculo, dentro da rotatória, tem prioridade”. Mas não é tão simples e os motoristas em Natal não entendem bulhufas das tais rótulas.
            “PAREM OS QUATRO” (o STOP FOUR, como querem os inglesistas): Quando há o encontro de duas vias de mão dupla, como no caso da Bernardo Vieira com a Xavier da Silveira, faz-se um círculo na interseção e, em cada uma das quatro mãos, há um sinal de “dê a preferência” (aquele triângulo com as bordas vermelhas e o fundo branco, com o vértice apontando para baixo – R2). A rigor, pela interpretação literal da sinalização, os quatro veículos eram para ficar parados, cada qual dando a preferência ao outro e o trânsito ficaria eternamente (!) obstruído. Daí o termo STOP FOUR, que nas ruas de Americana, cidade do interior paulista, pintaram assim mesmo, em inglês, em letras garrafais, o que gerou a maior polêmica. O termo técnico é “interseção em círculo” (é uma placa amarela com setas pretas indicando o giro no sentido anti-horário – A-12).
            É importante saber que existem regras – que pouca gente conhece – para que o trânsito não fique paralisado, ou, o que é mais comum, avancem uns sobre os outros, de forma desordenada, caótica, provocando acidentes. No caso de rotatórias (Interseções em círculo, stop four), o veículo que estiver na rotatória, terá preferência sobre aqueles que intentam adentrá-la; Nas vias que apresentem o mesmo tipo de pavimentação e características geométricas, ou seja, de igual categoria, a preferência de cruzamento será do veículo que vier pela direita do condutor, tal preceito encontra-se exarado no CTB, Art. 29, Item III, alínea C e ainda pela CTV (Convenção do Trânsito Viário) de Viena e que popularmente é conhecido como a regra da mão direita.
            No cruzamento em discussão, quem trafega pela Xavier da Silveira no sentido norte (centro) se acha com irrefreável preferência e coitado de quem ousar seguir as regras, mesmo a mais elementar – que é o direito do veículo que já se encontra na rotatória – pois será literalmente abatido pelos ônibus com os seus motoristas enfurecidos.
            É importante também que as rotatórias sejam grandes, até com um pouco de agressividade arquitetônica, para que o indivíduo não pense que está na “preferencial”.
            A saída é que as regras sejam divulgadas nesses locais, verbalmente e através de impressos explicativos, durante um tempo suficiente para o aprendizado dos brutamontes, ou seja, permanentemente.
            Segue um exemplo bastante elucidativo:
Analisando o esquema de um cruzamento não sinalizado e aplicando a regra da mão direita, percebe-se claramente que B tem a preferência sobre A, por sua vez A tem a preferência sobre D, este sobre C, que por sua vez tem preferência sobre B.
Senhor redator-chefe, por achar de extrema importância, já que o número das rotativas têm aumentado exponencialmente, é importante dar destaque à divulgação dessas normas.
Grato, Armando Negreiros.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

POSSE DO GOVERNADOR DO ROTARY CLUBE - DISTRITO 4500

governador eleito do distrito 4500 do rotary international para a ...
Acontecerá no próximo dia 04 de julho, sábado, em Natal, Rio Grande do Norte, a cerimônia de posse de Francisco Jadir Farias Pereira, que assume a governadoria  do Distrito 4500 do Rotary International, nos Estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Associado do Rotary Club Natal Sul, advogado, o Governador Jadir Farias é o 9º Potiguar a ocupar o cargo máximo da organização mundial, no Distrito 4500 do Rotary International. “Sinto-me honrado em poder dedicar parte de minha vida no desenvolvimento dos trabalhos rotários na região”.
Advogado, Sociólogo, Contabilista e Auditor Federal de Controle externo do Tribunal de Contas da União, Jadir foi eleito Governador do Distrito 4500 do Rotary International em 2012. Tem três filhas e três netos: Janaína, Julyana  e Sarah, três netos, Enzo, Maria Letícia e Cecília. É natural de Santa Cruz/RN e Ingressou no Rotary Club de Natal Sul em 1995. É casado com Ídia Lopes Vila, também rotariana e ex-presidente do Rotary Club de Natal-Sul.
Dentro da comunidade rotária da região, esteve na presidência do Rotary Club de Natal-Sul, foi Governador Assistente, Tesoureiro Distrital, Secretário Distrital Adjunto, membro da comissão de Comissões Distrital, Presidente e Tesoureiro da Associação dos Rotarianos  e da Casa da Amizade de Natal – ASROCAN, membro da Comissão Organizadora do Instituto Rotary em Natal, (2014),  é  autor do caderno “Noções Básicas de Rotary” . e Companheiro Paul Harris com uma safira.

Como Governador do Distrito 4500 do Rotary International, Francisco Jadir Farias Pereira terá como lema rotário: “Seja um presente para o Mundo”, sob a liderança do Presidente do Rotary International KR Ravindran, do Siri Lanka. “Meu trabalho, junto com toda a Equipe, será pautado na continuidade das boas e produtivas ações  colaborando para o desenvolvimento do distrito e com os programas da Fundação Rotária”, disse ao reunir os 93 presidentes de clube para treinamento específico, bem como os 33 Governadores Assistentes com que trabalhará nos próximos 12 meses, a partir de julho. “Já temos o nosso calendário definido, as metas conhecidas e a equipe preparada”, disse. Iremos aproveitar essa oportunidade que o Rotary International nos oferece e, em conjunto com todos os rotarianos do distrito, como preceitua o Presidente Ravindran, procuraremos e lutaremos para  cumprir o lema e os objetivos propostos para o ano rotário 2015/2016. “Sejamos um presente para o Mundo!”  conclamou  o dirigente .
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JADIR é sócio do IHGRN.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Aluísio Azevedo Júnior convidou você para o evento de Nobel Salgado Filho   QUINTA LITERÁRIA (A COISA MAIS CERTA DE TODA QUINTA!!!) Quinta, 25 de junho às 19:00 Livraria Nobel Salgado Filho em Natal (Rio Grande do Norte)   Participar     Não sei     Recusar   Pode ser que chova ou faça lua... Mas, a certeza é que essa QUINTA LITERÁRIA vai brilhar, vai respingar poesia, prosa; e vai até fazer um pouco de cena... Pois, teremos atrizes-escritoras no palco da... Nobel Salgado Filho e outras 26 pessoas também estão na lista de convidados.             Convites pendentes (4) Bloquear convites de Aluísio?    
   
 
   
   
Aluísio Azevedo Júnior convidou você para o evento de Nobel Salgado Filho
 
QUINTA LITERÁRIA (A COISA MAIS CERTA DE TODA QUINTA!!!)
Quinta, 25 de junho às 19:00
Livraria Nobel Salgado Filho em Natal (Rio Grande do Norte)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

São João do Carneirinho - Comidas Típicas Juninas

Anunciemos como João

Cardeal Orani Tempesta
A festa do nascimento de São João Batista, além de se inserir nas tradicionais festas juninas com seu folclore e tradição, deve ser um momento de aprofundamento para nossa vida de chamados a anunciar Jesus Cristo, e, assim, preparar os caminhos do Senhor nos corações das pessoas. Para mim é uma data muito especial, em que celebro a origem de meu segundo nome, que também me envia a essa missão. É uma festa alegre e simpática, que traz consigo uma mensagem muito importante e uma vida compromissada com o Reino de Deus até o martírio.
A celebração da natividade de João Batista evoca a manifestação da graça e bondade de Deus. O lema é a frase de Zacarias, seu pai, no evangelho dessa solenidade: “Seu nome é João”. Essa locução é uma mensagem da gratuidade e bondade divinas. O próprio nome – Yohanan – significa “Deus se mostrou misericordioso”. É importante lembrar que seus pais, Zacarias e Isabel, eram idosos, sendo que a mãe, estéril. Portanto, o nascimento de João revela o poder e a bondade de Deus e é um sinal claro da importante missão que a ele é confiada.
Ele é o “profeta do Altíssimo” e seu modo de viver lembra Elias, o profeta que vivia no deserto, impelido pelo Espírito. Aliás, no evangelho de Lucas, o anjo anuncia que João andará no espírito de Elias, o mais típico “homem de Deus” do Antigo Testamento.
João é testemunha da Luz, sobretudo por ter apontado Cristo no meio da humanidade. Ele encarna a plenitude do Antigo Testamento e a preparação para o Evangelho. E teve a graça de batizar o próprio Cristo, marcando o início da missão do divino Salvador. 
“Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo”. Assim o evangelho de Lucas inicia o canto de Zacarias, que louva a Deus pelo nascimento do filho João Batista. E mais adiante ele proclama: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo porque irás adiante da face do Senhor a preparar os seus caminhos” (Lc 1, 68.76).
Esse privilégio litúrgico se deve à grandeza da missão do Batista. Ele é o precursor do Messias, aquele que foi enviado para preparar os caminhos do Senhor. É testemunha da luz por ter apontado Cristo no meio da humanidade: “Eis o Cordeiro de Deus, eis O que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29).
Nos evangelhos, várias passagens ressaltam a pessoa e a missão do Batista. O evangelista João afirma que “houve um homem enviado por Deus que se chamava João. Este veio para dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. (Jo 1, 6) Em outra passagem, o mesmo evangelista narra que, interrogado pelos judeus se ele era o Messias esperado, João Batista testemunhou: “Eu não sou o Cristo. Eu batizo em água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis. Este é o que há de vir depois de mim, ao qual eu não sou digno de desatar a correia das sandálias” (Jo 1, 20. 26-27).
Marcos inicia seu evangelho apresentando João Batista que “pregava o batismo de penitência para remissão dos pecados” (Mc 1, 4). O evangelho de Mateus conta que João começou a pregar no deserto da Judéia, dizendo: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Porque este é aquele de quem falou o profeta Isaías quando disse: Voz do que clama no deserto. Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3, 2-3).
Na celebração deste grande santo ecoa em nossos ouvidos João Batista conclamando o povo à conversão: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. E todo homem verá a salvação de Deus” (Lc 3, 4-6).
João Batista nos convida a mudarmos de vida, a levarmos a virtude da esperança cristã a todos os que vivem desesperançados, a direcioná-la conforme os valores do Reino de Deus: “Quem tem duas túnicas, dê uma ao que não tem; e o que tem que comer, faça o mesmo” (Lc 3, 11). A salvação divina se concretiza na medida em que o Reino de Deus se realiza: na vivência da fraternidade, na prática da justiça, na defesa da vida, na promoção da dignidade humana, no resgate dos direitos dos pobres e excluídos e no anúncio de que a esperança em Cristo vence todas as mazelas do mundo atual.
Por isso, a mensagem de São João Batista se faz atual e contundente. Ela convida todos a se empenharem na construção de uma nova sociedade, sem violência, sem miséria, uma sociedade que ofereça condições de vida digna para todos. Pois, como proclama Zacarias em seu canto, João veio ao mundo “para dar ao povo o conhecimento da salvação, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, para dirigir nossos pés no caminho da paz” (Lc 1, 77-79).
Neste Ano da Esperança e às vésperas do grande envio missionário arquidiocesano, esta festa nos remete à grande missão evangelizadora da Igreja e, consequentemente, à nossa missão nesta grande cidade. Tem muita presença de Deus que aqui habita e que necessitamos que venha à tona e contagie as pessoas na caminhada para o bem. É o nosso compromisso deste ano abençoado com tantas e significativas datas. Abramos o nosso coração do chamado à missão e, como João, apontemos Jesus Cristo que está entre nós, ao povo que caminha procurando uma luz.
Celebrando a festa de São João Batista, rogamos que sua proteção se faça constante e sua mensagem sempre nos interpele para a construção de uma sociedade cada vez mais alegre e bonita. Para a construção de uma sociedade cada vez mais cheia de vida e de esperança cristã, marcada pelos valores do Evangelho de Jesus Cristo, de quem João Batista foi o precursor!
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
ENGENHO FERREIRO TORTO EM MACAÍBA - RN
MACAÍBA: CIDADE DOS MIGRANTES

Valério Mesquita*

Marcadamente, desde o século XIX, Macaíba, antes Coité, recebeu caudalosas correntes migratórias de dois pólos emissores do Nordeste: Paraíba e Pernambuco. Recentemente a TV Globo esteve lá e em Parnamirim a fim de pesquisar e registrar esse fenômeno que ocorre na área metropolitana de Natal. O fato de chegar a preocupar uma emissora desse porte ao ponto de incluir no “JN no Ar” os dois municípios no nível de uma investigação social reveste-se se singular importância: saber a razão e o porquê do que está atraindo brasileiros de outras regiões para cá. A reportagem apurou que hoje, nas “vizinhanças de Natal condomínios brotam mais rápido do que o mandacaru no sertão”.
Vê-se que a expansão imobiliária é um dos motivos para isso, somado a estatística de que, nos arredores de Natal, quatro cidades recebem em média vinte e oito novos moradores por dia. Investimentos públicos e privados têm abastecido a locomotiva de aumento da população. Até a indústria petrolífera, segundo a reportagem global, que gera trinta e sete mil empregos no estado, muitos escolhem as proximidades da capital para residir, apesar do engarrafamento do transito e a superpopulação da região metropolitana. Macaíba – vocacionada há dois séculos para o comércio e a indústria – as ruas centrais mais parecem um “mercado persa” ou uma Babilônia de transeuntes, automóveis e motos. As residências que conheci em um passado recente, foram transformadas em pontos de comércio, até nas calçadas, impondo-se aí a descaracterização física de sessenta, cinquenta anos atrás.
Quando visito a minha terra eu não me revejo mais. O “capitalismo” emergente transformou-a numa legião estrangeira. Ninguém conhece ninguém. São raras as fisionomias e olhos que refletem a cidade que vivi. Daí me preocupar com a preservação de sua memória histórica para que não venha perder a sua identidade. Todavia, entendo que é o preço alto da proximidade das cidades com a capital. Progresso desgovernado. Tudo começou, assinaladamente, com Fabrício Gomes Pedroza, fundador da cidade de Macaíba, em 27 de outubro de 1877. Antes, se chamava Coité (outra palmeira). Era o reduto da aristocracia rural fincada pelo coronel Estevão Moura no Engenho do Ferreiro Torto. Ocorreu aí o choque inevitável da atividade comercial chantada pelo pernambucano Fabrício no monte dos Guarapes e o latifúndio rural dos Moura que abrangia São Gonçalo e Macaíba.  Comércio levou a melhor. Estava decretada a sua vocação econômica.
Daí para frente, todas famílias que escreveram a sua história na vida municipal, os pioneiros vieram da Paraíba e de Pernambuco. Os Albuquerque Maranhão, os Castriciano de Souza, os Freire, os Mesquita, os Tavares de Lyra, os Chaves, os Garcia, os Maciel, os Alecrim, os Leiros, os Curcio, os Meira Lima, os Andrade e por aí, centenas delas que ingressaram na lide comercial, industrial, cultural, política e jurídica. Todos os macaibenses que se tornaram ilustres depois provieram dessas origens migratórias patriarcais. No século XX, da segunda metade em diante, dezenas de macaibenses originários dos citados troncos hereditários, igualmente geraram filhos ilustres, principalmente, no ramo do comércio. Até na política, Macaíba é um eldorado de correntes migratórias. Quem souber, pode, de per si, declinar quantos prefeitos e vereadores oriundos de outras plagas já comandaram o poder público local, o que reflete o caráter volúvel e também migratório do seu eleitorado.

(*) Escritor.

terça-feira, 23 de junho de 2015



   
Acla Pedro Simões Neto
23 de junho às 05:24
 
A Academia de Letras e Artes Pedro Simões Neto (ACLA) brinda seus leitores contando as origens dos festejos juninos (Santo Antônio, São João e São Pedro): as quadrilhas, os fogos de artifícios, as comidas típicas, as fogueiras, o vestuário, as músicas.

ORIGEM DA FESTA JUNINA

Apesar de muito comemorada no Brasil, a Festa Junina tem origem nos países católicos da Europa, que prestavam a sua homenagem a São João, mas lá ela era chamada de Festa Joanina. Aqui no Brasil, a festa tem forte influência indígena e negra. Isso pode ser percebido nas músicas, que são as mesmas que foram cultuadas pelos negros, nos quilombos e nas senzalas, como o xaxado, o coco, o maxixe e até mesmo o próprio forró. Na alimentação, a presença forte do milho, canjica, pamonha, bolo de milho, milho cozido, pé de moleque, entre outras. As comidas típicas também são símbolos juninos, como forma de agradecimento pela fartura nas colheitas, principalmente do milho, a festa se tornou farta em seus deliciosos quitutes
No Brasil, a festa de São João é celebrada desde 1583. As tradições juninas, a Quadrilha, os fogos de artifício, o vestuário e a fogueira, têm origem diversa, conforme veremos a seguir:
- A QUADRILHA veio da França. Era uma dança com passos inspirados nos bailes da nobreza europeia, surgida nos salões da corte francesa. Era chamada de “quadrille”. Na época da colonização do Brasil, os portugueses trouxeram essa dança, onde os participantes obedecem a um marcador, que usa palavras afrancesadas para indicar o movimento que devem fazer, tais como: “anavantur” (en avant tout), “anarriê” (en derrière), “avancê” (avancer), “balancê” (balancer), etc.). A mistura do linguajar matuto com o francês deu origem ao “matutês”, com humor e sotaque do interior nordestino. Nesta dança, é preciso seguir os comandos todos e no c’est fini das apresentações os casais se despedem acenando ao público.
- OS FOGOS DE ARTIFÍCIO foram trazidos dos chineses, onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Há também quem diga que é uma forma de agradecer aos deuses pelas boas colheitas. São elementos de proteção, pois espantam os maus espíritos, além de servir para acordar São João com o barulho.
- OS VESTIDOS RENDADOS e a DANÇA DE FITAS, são uma característica da Península Ibérica, bastante usados em Portugal e na Espanha.
Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.
As festas juninas são comemoradas em todo o Brasil, entretanto na região Nordeste – onde chegou através dos padres Jesuítas – estas festas ganham uma grande expressão. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas na região, que servem para manter a agricultura.
- A FOGUEIRA é o maior símbolo das festas juninas. A história conta que as suas raízes são católicas. Se deriva de um trato feito entre as primas Isabel e Maria. Isabel acendeu uma fogueira sobre o monte para avisar a Maria do nascimento de São João Batista e assim pedir a sua ajuda. Aqui no Brasil teve o integral apoio dos índios, que já adoravam dançar ao pé do fogo.
Outros dizem que as fogueiras eram acesas na festa de São João para lembrar que foi ele quem anunciou a vinda de Cristo, o símbolo da luz divina.
Há ainda quem considere a fogueira uma proteção contra os maus espíritos, que atrapalhavam a prosperidade das plantações.
Por fim, há aqueles que utilizam a fogueira apenas para se aquecer e unir as pessoas ao seu redor, já que a festa é realizada num mês frio.
As brasas da fogueira também são um exemplo dessas tradições: assim que se apagam, devem ser guardadas. Conservam, desse modo, um poder de talismã que garante uma vida longa a quem segue o ritual. Talvez por isso algumas superstições dizem que faz mal brincar com fogo, urinar ou cuspir nas brasas ou arrumar a fogueira com os pés.
Em Ceará-Mirim, no sítio Ilha Grande, o seu proprietário, que se chamava João, saudava o santo do seu nome, soltando dezenas de foguetões, dizendo que era pra acordar São João, que dormira o ano inteiro. Ainda nesse sítio costumava-se acender fogueiras, a cada ano maiores. Quando as labaredas da fogueira se apagavam, sobrando as brasas, que eram abanadas para ficar mais acesas, o seu filho, Paulo da Cruz, descalço, passava sobre o braseiro e nunca queimou seus pés.
Também nesse sítio, em homenagem ao São João, adultos e crianças, amigos e filhos dos amigos, moradores e seus filhos também realizavam o culto do batismo, do parentesco (primos) e até casamentos à beira da fogueira.

OBRA E SÍTIOS CONSULTADOS:
Spineli, Maria da Conceição Cruz – MEMÓRIAS DO TIMBÓ, À BEIRA DA TIMBAUBA

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Agostinha Monteiro de Souza


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG.
 
Meus trisavós, Alexandre Avelino da Costa Martins e Anna Francisca Bezerra, tinham uma filha de nome Agostinha Maria Martins Bezerra, que foi casada com Manoel Antonio da Costa Monteiro, filho de Antonio Caetano Monteiro e Olímpia Maria da Conceição. Deve ter recebido seu nome em homenagem a mãe de Anna Francisca, que se chamava Agostinha Monteiro de Souza. Esta, que foi casada com o tenente-coronel Antonio Francisco Bezerra da Costa, era filha de João Manoel da Costa e Angélica Maria da Conceição. Faleceu nova, com 33 anos, de parto, aos dois de julho de 1827.

Esse nome Agostinha Monteiro de Souza, aparentemente, não tem nada a ver com o nome dos pais. De onde surgiu, pois? Entre seus irmãos, listamos Manoel Vieira da Costa, João Manoel da Costa e Mello, e Vicente Ferreira da Costa e Mello do O’. Como de costume, esse “e Mello” denuncia junção de duas famílias, e, portanto, o Mello deve ter vindo dos pais de Angélica Maria da Conceição. Nos registros, encontrados até agora, um casal que gerou Antonio de Souza Monteiro foi José Antonio de Mello e Mathildes Quitéria Xavier da Cruz. Ela, filha de Francisco Xavier da Cruz e Lourença Dias da Rosa, e prima legítima de Agostinha. Quanto a José Antonio de Mello, na árvore genealógica desenhada do escritor Afonso Bezerra, ele aparece com filho de Thomaz e F. de Tal. Pode ser que o pai de José Antonio fosse um Thomaz Vieira de Mello.

Aqui na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, encontramos uma Agostinha de Souza Monteiro. Vamos aproveitar esse problema, na minha família, que ainda não foi resolvido, para apresentar seu casamento.

Aos sete de janeiro de mil setecentos e cinquenta e dois, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande, feitas as denunciações nesta Matriz e nas partes necessárias, sem haver impedimento, como dos banhos que se acham correntes, consta, de um mandado nas partes do Reverendíssimo Senhor Doutor Visitador, se casaram solenemente em face da Igreja, por palavras de presente, Joam Martins de Sá, filho legítimo de Francisco Pires de Macedo, e de sua mulher Maria do O’, já defuntos, e Agostinha de Souza Monteiro, filha legítima do capitão José Monteyro, e de sua mulher Hylena de Souza, moradores na Ribeira de Mipibú, desta Freguesia, e logo lhes deu as bênçãos conforme os ritos da Santa Madre Igreja, do que mandou o muito Reverendo Senhor Doutor Visitador fazer este assento em que assinou. Marcos Soares de Oliveira. Nesse registro, meio confuso, não aparecem as testemunhas.

Segue o casamento de uma irmã de Agostinha: Aos dezessete de dezembro de mil setecentos e cinquenta e um, na Capela de Nossa Senhora do O’ do Papari, da Ribeira do Mipibu, da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande, feitas as denunciações costumadas, nas Igrejas necessárias, sem haver impedimento algum, como dos banhos, que se acham correntes, consta, de licença do Muito Reverendo Senhor Doutor Visitador Frey Manoel de Jesus Maria, em presença do Reverendo Padre Antonio de Araújo e Souza, capelão da dita capela, e das testemunhas o capitão-mor  Joam de Oliveira e Freitas, casado e morador na dita Ribeira, o sargento-mor Domingos Pinto Zório, casado, e morador na dita Ribeira, pessoas conhecidas, se casaram solenemente em face da Igreja, por palavras de presente, Felizardo Vieira de Mello, filho legítimo de Manoel Vieira, e sua mulher Thereza de Jesus, já defuntos, e Florência Pires de Macedo, filha legitima do capitão Joseph Monteiro, e sua mulher Hylena de Souza, todos naturais desta Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, e logo lhes deu as bênçãos na forma dos ritos da Santa Madre Igreja, de que mandou o Muito Reverendo Visitador, fazer este assento em que assinou. Marcos Soares de Oliveira, Visitador.

É estranho que uma filha de José Monteiro e Helena de Souza seja Florência Pires de Macedo. Na verdade, o marido de Agostinha era filho de um Pires de Macedo. Nos livros de registros há outra pessoa com o mesmo nome dela, que foi casada com Agostinho de Souza.

Desse casal, encontramos os batismos de dois filhos: Thereza de Jesus que foi batizada aos 15 de junho de 1756, tendo como padrinhos Simão Vieira de Mello, e a viúva Joana da Rocha; e Antonio, batizado aos 29 de setembro, de 1754, tendo como padrinhos o capitão José Monteyro e sua mulher Elena de Souza.

Há alguma relação entre essas duas Agostinhas, ou temos somente meras coincidências?
Árvore Genealógica do escritor Afonso Bezerra