21/11/2013

Nossa Senhora da Apresentação
Padroeira da Arquidiocese e da cidade do Natal


Foto da imagem
 
A história
A história da Padroeira de Natal, Nossa Senhora da Apresentação, baseia-se na tradição oral. Não um documento registrando a chegada da sua imagem às margens do rio Potengi. É importante salientar que, mesmo sem ter aqui uma imagem, Nossa Senhora da Apresentação é a Padroeira desde os primórdios da vida cristã da comunidade natalense. Em 1990, escremos, de Brasília, uma carta ao monsenhor Severino Bezerra, chanceler da Cúria e historiador da Arquidiocese de Natal, fazendo-lhe algumas indagações sobre o orago de Natal. Na sua carta resposta, ele nos fez a seguinte revelação: "Em 29 de março de 1718, antes da chegada de Nossa Senhora da Apresentação, num inventário por morte de Joana de Barros, em Goianinha, entre as dívidas deixadas pela falecida está: esmola de 5.000 (cinco mil) réis à Nossa Senhora da Apresentação. Só 35 anos depois foi o encontro da imagem" (Carta datada de 20 de maio de 1900.
Corrobora esta revelação o que Frei Agostinho de Santa Maria escreveu num livro publicado, em Lisboa, em 1722, citado pelo historiador Luís da Câmara Cascudo: "Na capela-mor daquela matriz se colocou pouco depois um grande e famoso quadro de pintura, em que se vê o mesmo mistério da Senhora historiado... A sua festividade se lhe celebra em 21 de novembro, que é o dia em que a Senhora foi oferecida ao Senhor da Glória". (1980:122).
Conta a tradição que na manhã de 21 de novembro de 1753, pescadores encontraram na margem direita do Rio Potengi, na confrontação da Igreja do Rosário, um caixote que estava encalhado numa pedra. Quando abriram-no, encontraram uma imagem da mãe de Jesus com um menino no colo.
A referida imagem tinha uma mão estendida, aparentando sustentar alguma coisa. Logo, deduziram que fosse um rosário. Avisado sobre a novidade daquela descoberta, o vigário da Paróquia, Pe. Manoel Correia Gomes pressurroso, dirigiu-se ao local e, incontinenti, conduziu o vulto para a Matriz, ciente de que se tratava de um ícone de Nossa Senhora do Rosário. Entretanto, como 21 de novembro é, no calendário litúrgico da Igreja Católica, o dia em que se festeja a apresentação da Mãe de Jesus no Templo, deram à imagem que apareceu no Rio Potengi o nome de Nossa Senhora da Apresentação.
A esta altura, é oportuno lembrar que a Festa da Apresentação de Nossa Senhora no Templo foi instituída pela Igreja Católica no ano de 1571.
Registra-se ainda a tradição que, no caixote que trouxe a imagem de Nossa Senhora, estava escrito: "No ponto onde der este caixão não haverá nenhum perigo" .
(De autoria do professor e historiador Itamar de Souza,
publicado no Fascículo "Nova história de Natal" - Diário de Natal)
 
A Festa
Os festejos em honra à Nossa Senhora da Apresentação acontecem no período de 11 a 21 de novembro. As celebrações religiosas acontecem na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação (antiga Catedral) e na Catedral Metropolitana. Dentro da programação religiosa, uma atividade que aglomera milhares de fiéis, é a "Missa da Pedra do Rosário", celebrada à beira do Rio do Potengi, local onde a imagem apareceu. A missa é celebrada às 5 horas da manhã.
A programação sócio-cultural é realizada todas as noites, após as novenas, no pátio da Catedral Metropolitana.
 
Hino de Nossa Senhora da Apresentação         
1. Tu quiseste um dia trazer alegria ao nosso cantar. / E vieste Maria com Jesus nos braços, nas ondas do mar... / Pescadores te acharam, com amor te acolheram, Ó Mãe sem igual! / Entre o Potengi e as águas tranqüilas do mar de Natal!
Refrão: Escolheste, por amor, nossa terra prá aqui, vir morar... / Virgem Mãe do Senhor a teus pés nós viemos rezar.
2. Vinte e um de novembro, o dia feliz de tua aparição, / e nós te festejamos, ó Nossa Senhora da Apresentação. / Hoje a felicidade traz toda a cidade à tua Catedral. / Prá louvar-te Maria, que escolheste um dia teu trono em Natal.
3. Tens na fronte a coroa, Rainha da Paz do amor e do perdão... / És a Mãe terna e boa, / Rainha que reina com o terço na mão. / Teu olhar de bondade, onde a serenidade, nos dá proteção. / Tens Jesus em teus braços, és Nossa Senhora da Apresentação.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 
 

 
 
 
 

“HÁ CENTO E SETENTA E OITO ANOS”
                        - 21.11.1835 -                    
                         (Wellington Leiros)

O Padre ANTONIO GOMES DE LEIROS, natural da Paraíba, primeiro vigário-colado da então recém criada Paróquia de Nossa Senhora do Ó (31.07.1833), em Papari (hoje Município de Nísia Floresta), desmembrada de São José de Mipibu, fora nomeado pelo Bispo de Pernambuco, tendo assumido o “munus eclesiastico” na então Vila de Papari, aos 30 de agosto de 1833. Aos 21 de novembro de 1835, isto é, dois anos, dois meses e vinte e três dias depois, fora assassinado, em plena via pública de Nísia Floresta (nas proximidades da frondosa e secular “baobá”).
O Monsenhor Severino Bezerra “in” Levitas do Senhor – vol. II, referindo-se ao Padre Leiros, escreveu:
“Sacerdote moço, com boa disposição para o trabalho, numa paróquia recentemente criada, com vivência popular no meio de seus paroquianos, que bem o estimavam.”
Pois bem, consta que o Padre Leiros descobrira que as terras onde um tal TOMAZ MARINHO, membro da família Marinho de Papari,  seu paroquiano,  fundara, com muita dedicação e capricho, um dos “sítios” mais bonitos da Povoação de Papari, eram propriedade de Nossa Senhora do Ó, porquanto, para a formação do patrimônio da paróquia, Diogo Malheiros Rebouças e sua mulher Felipa Rodrigues de Oliveira haviam doado, em 1762, “...mil e cem braças de terra em Papari, sendo seiscentas em taboleiro e quinhentas em terra boa para plantações...” e, exatamente nelas, estariam encravadas as terras do sítio de Marinho.
A família Marinho, juntamente com as famílias Gusmão e Pires, todas de Papari, construíram a Matriz daquela localidade.
 
O sítio de TOMAZ MARINHO, graças a seu esforço e dedicação, sem falar na excelência de suas terras para a agricultura, a cada dia se transformava em um dos mais vistosos, seduzindo os olhos do povo.

MARINHO, apesar de ter recebido várias propostas de compra, algumas bastante consideráveis, dizia: ”de modo algum está à venda”.]
O Vigário, por sua vez, também aguçara os olhos no sítio tão desejado. Sabedor de que MARINHO não possuía os documentos da propriedade e alegando que as terras pertenciam à Paróquia, propôs ação judicial de reintegração de posse, através do rábula Antônio Gabriel de Carvalho.
Aliás, sobre as terras de MARINHO, há duas versões que, de certo modo, deságuam no mesmo estuário.
“In” Levitas do Senhor, o Monsenhor Severino Bezerra diz que “...o povo quer adquirir o sítio de MARINHO com ofertas em dinheiro mas, o Vigário quer, à força de questão, tomar posse do bem alheio”.
O historiador Luiz da Câmara Cascudo, por seu turno, “in” artigo (acta diurna) publicado em A República de 24.11.1939, diz, textualmente:
“O Padre Leiros ofereceu compra e obteve uma recusa imponente. O dono do sitiozinho não possuía seus documentos em ordem. O Padre Leiros adquiriu terra vizinha, outrora de âmbito maior e não demarcada. Veio a Natal e entregou a questão ao melhor e mais sagaz dos rábulas daquele tempo, Manoel Gabriel de Carvalho.” 
De Antônio Gabriel de Carvalho (citado pelo Monsenhor Severino Bezerra) a Manoel Gabriel de Carvalho (citado por Câmara Cascudo), a dubiedade não faz diferença ao caso. 
O que se tinha, e se teve, de certo, e o povo todo de Papari já sabia disso, é que  MARINHO iria perder suas terras. Vindo à Natal, constatara a veracidade das informações: “...aquele sítio é minha vida e vale tanto quanto ela....”, dissera MARINHO, “...vamos perder nós dois e ele, o padre, perde muito mais”. Comprou uma pistola e as respectivas balas.

Aos 21 de novembro de 1835 (a narração é  de Luiz da Câmara Cascudo) “...sol descendo, Marinho passava por uma tavernola em Papari quando o Padre Leiros chamou-o, com voz alegre e alta: perdeste a terra, Marinho! E você a vida, bradou o espoliado, arrancando a pistola e desfechando-a, num estampido, no peito do vigário. Houve um tumulto. Gritos, correrias, ordens. Marinho não procurou fugir. Foi preso. Coberto de sangue, o Padre Antônio Gomes de Leiros agonizava. Duas horas da tarde. Enterram-no no dia seguinte, com solenidade, na Matriz...” 
 
Nada há, quer nos registros civis, quer nos da igreja, quaisquer assentamentos sobre a morte do Padre Antônio Gomes de Leiros. Também não há provas de que o Padre Leiros tenha sido sepultado na Matriz de Nísia Floresta (antiga Papari). Não existe, ali, qualquer sepulcro que possa ser identificado como sendo o jazigo perpétuo do Vigário Antônio Gomes de Leiros, o que é lamentável, inclusive para a instituição à qual servira, até à trágica morte.

...e nunca mais se ouviu falar do Padre Leiros.


O Padre ANTÔNIO GOMES DE LEIROS, teve, apenas, ao que se sabe, um único filho, fruto de sua relação com Isabel Gomes de Souza: Antônio Gomes de Leiros (meu bisavô), que fora casado com Florência de Castro Barroca, filha do Duvina Renovata da Rocha Fagundes (irmã do Vigário Bartolomeu da Rocha Fagundes) e de Diogo Apolônio de Castro Barroca.
 
1881, descrição de Angicos (II)
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN e membro do IHGRN e do INRG
 
Vista a parte histórica, no artigo anterior, vejamos agora como foi descrita a Vila de Angicos nas suas outras partes, pela Câmara Municipal. Antes disso, um pequeno comentário sobre essa parte histórica. Alguns desses vereadores descendiam dos primeiros habitantes daquela Região de Angicos. Entretanto, não mencionam outros personagens que contribuíram para o nascimento de Angicos. O presidente da Câmara Manoel Fernandes da Rocha Bezerra que casou com minha tia-bisavó, Maria Xavier da Costa Torres, era neto de Balthazar da Rocha Bezerra, mas não fez menção que a Fazenda Angicos, antes de ser vendida ao tenente Antonio Lopes Viégas, pertenceu ao Coronel Miguel Barbalho Bezerra, como provou Aluízio Alves. O vereador, cadete José Avelino Martins Bezerra, tetraneto de João Barbosa da Costa, não contribuiu com nenhuma informação sobre seu tetravô, ascendente da maioria dos angicanos daquela época. Aliás, a História de cada município do Rio Grande do Norte precisa ser revista, pois ela é contada por pessoas que não se dedicaram ao exame mais detalhado dos documentos mais antigos. Para exemplificar, boa parte dos documentos do Assú, tanto dos cartórios como da Igreja, estão perdidos. Mais ainda, os que restaram continuam esquecidos e descuidados pelos seus responsáveis, que não se preocupam nem em digitalizá-los.

Topografia: Esta Vila está situada à margem esquerda do Rio Pata-chó (em vários documentos mais antigos da Província, tenho encontrado o nome do rio com sendo Pata-choca). Nome de antiga tribo de índios, que pararam por estes Sertões (vários autores contestam a passagem dos Pataxós, por aqui). A Vila ocupa a maior parte de um terreno plano e arenoso de 800 metros em quadro.

Conta-se duas pequenas ruas, largas e bem arejadas, e mais três alinhamentos de boas casas que formam o Adro da Matriz, bonito e decente edifício. Ao Nordeste confronte a mesma acha-se a cadeia pública ainda em obra, tendo boa sala livre, onde funciona a Câmara Municipal. Ao Sueste (Sudeste), no mesmo quadro está a Casa do Comércio, edificada ultimamente as expensas dos socorros públicos, que embora não concluída, de muito tem servido, não só para cômodo dos viajantes, como aos negociantes do lugar e seus subúrbios. Ao Levante, vê-se o alto e majestoso Pico do Cabugi, que semelhante ao antigo telégrafo nos anuncia as chuvas pelos cúmulos de nuvens em sua mais elevada extremidade, onde por singularidade, com dificuldade, foi colocado um poste com o respectivo para raio. Ao Leste Setentrião e Ocidente, observam-se diversos serrotes de granito que concorrem ao longe para formar-se da pequena Vila mais avultada ideia. Do centro da situação observam-se diversas casas de telhas, dos maiores Altos Monte Alegre, Favela, Espírito Santo, Coração de Jesus, e Fazenda Nova, propriedades e benfeitorias dos mais abastados do lugar. Finalmente ao Oeste, 100 metros das últimas casas, encontra-se o açude do Glorioso Senhor São José Padroeiro da Freguesia, edificado pelo Reverendo Ibiapina, nas Missões de 1862, obra atualmente em ruínas, que serve apenas para conservar a frescura do terreno, útil aos plantadores de vazantes.

População – Segundo o último recenseamento, consta a população livre de 5. 500 almas, e a escrava de 180. Desta população, apenas habitam a Vila, 300 almas, compreendidas 13 escravos.

Agricultura – Lavoura – Consiste na cultura de mandioca, algodão, milho, arroz, feijão melão e melancia, além de diversos legumes. Criação – A grande criação consiste de gado vacum, cavalar, lanígero, e cabrum. A pequena criação limita-se às aves domésticas.

Indústria Fabril – A indústria fabril é de pouca importância atualmente, consistindo apenas em pouca farinha de mandioca, obras de olaria, como sejam louças de barro, telhas e tijolo de alvenaria; há também tecidos grossos de algodão.

Comércio – A exportação é pouco e limita-se ao algodão e gado vacum; devida esta escassez aos efeitos da calamitosa seca de 1877 e 1879. A importação também é de nenhuma importância, limitando-se a pequena negociação de molhados e fazendas.

Instrução – Para a instrução primária há duas escolas, sendo uma do sexo masculino criada por Resolução Provincial no ano de 1833, e uma do sexo feminino criada por Lei Provincial nº 497, de 4 de maio de 1860.

Divisão eclesiástica – Pertence este Município à Diocese de Olinda, e contem uma só Paróquia denominada São José dos Angicos, a qual desmembrada da de Santana do Matos, foi criada por Resolução Provincial no ano de 1836; e tem sido administrada por três Vigários, sendo dois encomendados e um colado, os Reverendos Manoel Antonio dos Santos Morais Pereira Leitão, Manoel Januário Bezerra Cavalcanti, e Felis Alves de Sousa, pelo primeiro de 1836-1839, pelo segundo de 1839-1844; e pelo terceiro de 1844 até o presente.

Obras públicas – Paço da Câmara Municipal, a Casa do Comércio e o Cemitério.

Distâncias – Dista esta Vila da capital da Província de 42 léguas; as distâncias às Vilas e Cidades dos Municípios confinantes são as seguintes: à Vila de Santana do Matos, 8 léguas ao Sudeste; à cidade do Assú, 8 léguas ao Noroeste; à cidade de Macau, 14 léguas poucos graus abaixo do Norte.

Agora, duas sugestões: que nossas universidades e faculdades ajudem os municípios na reconstituição de suas verdadeiras histórias; que os municípios digitalizam os documentos antigos, ainda existentes em suas sedes. Educação é muita mais que prédios, merenda escolar, bolsas, e bibliotecas.

20/11/2013



ACADEMIA MACAIBENSE DE LETRAS – AML
CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÕES
A COMISSÃO ELEITORAL designada pela Portaria n° 01/2013-AML de 08 de novembro de 2013, do Presidente da Instituição, CONVOCA todos os Acadêmicos da ACADEMIA MACAIBENSE DE LETRAS – A.M.L., para participarem do pleito eleitoral para a escolha dos membros permanentes da Diretoria e Conselho Fiscal da referida Academia, a ter lugar no dia 13 de DEZEMBRO próximo vindouro, em sua sede provisória sita à Rua Mipibu, n.º 443 – Bairro Petrópolis, CEP: 59020-250 – Natal/RN  (sede da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras)onde funcionará uma seção e no Solar Caxangá, em Macaíba/RN, onde funcionará outra seção, no horário das 9 às 14 horas, para o preenchimentos dos seguintes cargos: DIRETORIA: Presidente; Vice-Presidente; Secretário e Tesoureiro; CONSELHO FISCAL: Três (03) Membros.permanentes e um suplente.
Para o pleito serão obedecidos o seguinte calendário e regras:
 
a) O registro das chapas poderá ser feito até o dia 05 de dezembro, na sede provisória de Natal/RN ou em Macaíba (Solar Caxangá);
b)     Os prazos para impugnações e recursos serão de 48 (quarenta e oito) horas e as decisões em igual prazo e são contados de forma contínua;
c)      Todos os atos do processo eleitoral ocorrerão na sede provisória de Natal/RN, no início indicada, até a eleição, proclamação e diplomação dos eleitos;
d)     Fica dispensada a exigência da comprovação de adimplência dos candidatos e eleitores, por se tratar da primeira eleição permanente para os cargos da Diretoria e Conselho Fiscal.
O edital com as normas editalícias completas está afixado na sede provisória da Instituição, no Solar Caxangá, em Macaíba-RN e no Cartório Judiciário da Comarca de Macaíba/RN.
Natal/RN, 08 de novembro de 2013
A Comissão Eleitoral  
 
WELLINGTON DE CAMPOS LEIROS
Presidente
RUI SANTOS DA SILVA
Membro
ODILÉIA MÉRCIA GOMES DA COSTA
Membro
SHEYLA MARIA RAMALHO BATISTA
Membro
Solicitamos ainda a todos os acadêmicos a atualização de e-mails ou telefones, caso seja necessário.

ESTUDANTE OU ALUNO?

PADRE JOÃO MEDEIROS FILHO (pe.medeiros@hotmail.com)

O tempora, o mores! Como nos faz falta o latim! Se, mesmo, outrora, fazendo parte dos componentes curriculares das escolas, o poeta parnasiano exclamara: “A última flor do Lácio, inculta e bela”, o que diria esse vate nos dias atuais? Indagado sobre o significado da palavra inculta, empregada em seu soneto, respondeu Bilac: “o termo fica por conta de todos aqueles que a maltratam, mas que continua a ser bela”. Sem o ensino do latim nas instituições de ensino fundamental e médio, atropelamos ainda mais o vernáculo.

Quantas vezes, deparamo-nos com afirmações e fatos, partindo do modismo do “politicamente correto”, sem base científica, que surgem do nada e de repente têm trânsito livre nos campi universitários e até nas salas do Ministério da Educação. Adotou-se agora a moda do vocábulo estudante em lugar de aluno. É um risco, pois podemos transformar um sofisma em verdade, e, então consagrá-lo como certo e convencer incautos neste assunto. Há um conceito distorcido, que vem sendo divulgado inclusive entre professores e dirigentes educacionais. E diga-se, per transennam, empregado e enfatizado por palestrantes e orientadores pedagógicos. Trata-se da etimologia da palavra aluno

A nova conotação vem ocupando espaço, explicando que aluno significa "sem luz", pois a palavra é formada pelo prefixo grego “a” (partícula de negação) e pelo elemento “lun”, adulteração de lumen (luz em latim). E, por significar ausência dela, a palavra seria depreciativa e antipedagógica. Para quem estudou latim, sabe que as palavras em português provêm do acusativo, que integra a declinação latina. Caso o étimo aluno derivasse de lumen, substantivo neutro, deveríamos ter ad lumen (próximo da luz), como é a regra geral etimológica. Entretanto, a palavra aluno deriva do latim: alumnus e já existia, antes de Cristo. Tinha como significado primitivo criança de peito, que era nutrida, unida a sua mãe. Daí, o sentido figurado de aluno ou discípulo, enquanto é alimentado, vinculado a alguém. De acordo com o filólogo Ernesto Faria, (catedrático de latim da antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil), Cícero já empregava alumnus, nas suas obras Verrinas e De finibus.  Segundo renomados etimólogos, latinistas e linguistas brasileiros, dentre os quais Antenor Nascentes, padre Auguste Magne, S.J, Serafim da Silva Neto e outros, alumnus deriva do verbo alere: alimentar, fazer crescer, desenvolver. Por analogia, tomou a acepção de crescimento intelectual. É também nesse sentido usado por Cícero em: De Natura Deorum e nas Catilinárias

Seria de bom alvitre que os leitores consultassem o verbete nos Dicionários da Língua Portuguesa de Houaiss e Aurélio, no Dicionário Etimológico Nova Fronteira de A. G. Cunha, nos dicionários da Real Academia Espanhola, Larousse etc. Não se pode aceitar que em nome do “politicamente correto” desvirtue-se a semântica de uma palavra, dando-lhe um sentido que não lhe cabe, banindo o seu uso. É aviltar e empobrecer nosso idioma e a história da educação.

Convém por último ressaltar que, na tradição, bem como nas culturas hebraica, grega, latina e brasileira, aluno é sempre alguém que está inserido, ou seja, matriculado numa instituição e vinculado a um mestre. Por isso, estão consagradas expressões como: aluno do Ateneu, do Salesiano, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte,  do curso de medicina, do professor Otto Guerra etc. Data venia, não podemos aceitar uma conceituação equivocada de aluno. Seria agredir os lexicógrafos e a língua pátria. Dom José Adelino Dantas, de saudosa memória, exímio latinista, proferiu esta frase lapidar: “Sem conhecimento do latim, podemos nos tornar apedeutas com certa pavonice". Cabe-nos, por fim, dizer: “Foeci quod potui, potentes faciant meliora”. E, já que não se estuda mais latim, procure-se a tradução no “doutor” Google, guru virtual de muitos.

19/11/2013

VALÉRIO MESQUITA - HÁ 71 ANOS
Em reunião simples, os Diretores, funcionários e amigos comemoraram o aniversário de VALÉRIO ALFREDO MESQUITA, ex-Deputado Estadual, ex-Presidente do Tribunal de Contas do Estado, Membro das Academias Macaibense de Letras e Norte-Rio-Grandense de Letras, escritor e líder político no Município de Macaíba.
Valério, ao longo dos anos, conquistou uma legião de amigos e admiradores e agora realiza uma dinâmica gestão à frente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, numa luta sem fronteiras para o soerguimento da Casa da Memória em tempo recorde. Quem passa pelo velho casarão já sente a movimentação física e o início de serviços e modernização da Entidade para que seus objetivos sejam preservados integralmente.
PARABÉNS ESTIMADO PRESIDENTE.